1º Congresso de Enfermagem de Reabilitação do Centro Hospitalar Lisboa Norte

Comissão Organizadora I Congresso Enfermagem Reabilitação CHLN (002)

No âmbito do 1º Congresso de Enfermagem de Reabilitação do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), o Raio-X partilha um artigo de opinião da autoria das enfermeiras Ana Almeida (1), Fátima Caetano (2), Lucília Alves (3) e Raquel Bolas (4) que aborda os principais tópicos que estiveram em debate.

A realização do 1º Congresso de Enfermagem de Reabilitação do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) teve como principais objetivos proporcionar a aquisição e atualização de conhecimentos teórico-práticos e a partilha de experiencias que promovem o desenvolvimento de competências específicas nas diferentes áreas de enfermagem de reabilitação.

Os avanços técnico-científicos desenvolvidos nas últimas décadas permitiram o aumento da esperança média de vida de doentes. Tem-se assumido como fundamental o desenvolvimento de programas estruturados de enfermagem de reabilitação em Portugal em diferentes contextos. No entanto, a sua implementação globalmente difundida é ainda um desafio face ao contexto atual da atividade assistencial às pessoas, famílias e cuidadores informais. Face a este desafio que se coloca a nível nacional, e tendo sempre muito presente o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de programas de enfermagem de reabilitação que promovam uma prestação de cuidados de excelência na nossa prática, ousamos concretizar um sonho que já há algum tempo estava a ser idealizado.

Partilhamos da mesma opinião que os especialistas de renome nacional, e também moderadores externos participantes neste congresso tais como a Presidente da APER Isabel Ribeiro e Belmiro Rocha presidente da Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Reabilitação da Ordem dos Enfermeiros, afirmando que os programas de reabilitação deverão incluir uma intervenção multidisciplinar e integrada baseada numa avaliação global, e simultaneamente meticulosa, do doente bem como no desenvolvimento de um tratamento individualizado. Estes programas deverão incluir, entre outras abordagens, treino de exercício, educação e mudança de comportamentos, com o objetivo de melhorar as condições físicas e psicológica da pessoa e promover a sua adesão a longo prazo a comportamentos promotores de saúde e estilos de vida saudáveis.

É reconhecido atualmente que um programa de reabilitação tem sobre a pessoa alvo de cuidados um efeito benéfico, quer no prognóstico da doença com menor número de exacerbações e menor mortalidade, quer na utilização racional dos serviços de saúde disponíveis, com menor recurso à urgência e a consultas não programadas. Assim, constituem uma importante ferramenta e uma mais-valia na gestão da doença respiratória, devendo esta ser um foco de atenção por parte dos enfermeiros de reabilitação.

Apesar de ser um conceito amplamente difundido e aceite, o desenvolvimento desta especialidade tem sido mais notório em contexto hospitalar, quer seja programa em regime de internamento ou de ambulatório. Pelo que, consideramos que descentralizar este foco é primordial, devendo abranger os cuidados de saúde primários.

A mudança deste paradigma tem sido evidente com a transferência de recursos humanos das unidades hospitalares para os cuidados de saúde primários. A promoção e restauração da funcionalidade, a capacitação da pessoa e cuidador no processo de transição hospital/domicílio, constituem um desafio para as equipas relativamente à prática de enfermagem de reabilitação. A complexidade desta abordagem face às diferentes dinâmicas das Unidades, espelham a diversidade da enfermagem de reabilitação. Foi gratificante proporcionar os momentos de partilha de experiências dos diferentes serviços/ unidades do CHULN durante o Congresso.

A importância da implementação de programas que visem a prevenção e reabilitação cardiovascular quer em ambulatório quer em regime de internamento e vice-versa, constituem premissas das intervenções especializadas em reabilitação procuram dar resposta. Este aspeto foi enfatizado pelo enfermeiro Luís Gaspar, do CHSJ Porto, moderador externo convidado. Além dos objetivos de índole funcional e de qualidade de vida, pretendem também a estabilização de alguns parâmetros fundamentais para a manutenção de um bom estado de saúde, prevenção de complicações e promoção de autonomia.

A implementação de programas de reabilitação estruturados e sistematizados evidencia ganhos na qualidade de vida, controlo de sintomatologia e benefícios psicossociais importantes que são objetivados através da aplicação de instrumentos de avaliação específicos.

Somos da opinião que conceber, implementar e monitorizar programas de enfermagem de reabilitação diferenciados, associados a um nível elevado de competências, fazem parte dos processos de construção diários das intervenções do enfermeiro especialista em Enfermagem de Reabilitação. A evidência destas intervenções e o impacto das mesmas, são ferramentas que produzem indicadores a diversos níveis.

Da fase aguda à fase paliativa são inúmeros os outcomes em que a reabilitação demonstra ser uma abordagem terapêutica especializada insubstituível. A realização deste evento científico contou com a participação de profissionais de saúde interessados no desenvolvimento de programas de reabilitação provenientes de norte a sul do país. Estamos convictos que a importância deste congresso passa pelo contributo de todos os participantes, pela partilha de experiências, de conquistas e de dificuldades.

Acreditamos que este congresso contribuiu para demonstrar que a evidência científica mais atual associada aos saberes e competências dos enfermeiros especialistas em reabilitação se traduzem em efetivos ganhos em saúde.

(1), (2), (3), (4) – Enfermeiras Especialistas em Enfermagem de Reabilitação
(1) Enfermeira Chefe do Serviço de Cirurgia Vascular do CHULN
(2) Enfermeira Chefe do Hospital de Dia Pneumológico do CHULN, HPV
(3) Enfermeira Chefe da Unidade de Reabilitação Respiratória do CHULN, HPV
(4) Enfermeira Chefe da Unidade de Reabilitação Respiratória do CHULN, HSM.

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