Cancro de Cabeça e de Pescoço afeta cada vez mais os jovens

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Artigo de Opinião de Ana Castro, Presidente do Grupo de Estudos de Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP) que visa assinalar a efeméride de hoje, 27 de julho, Dia Mundial de Cancro da Cabeça e Pescoço.

O Cancro de Cabeça e de Pescoço é a quarta patologia com maior incidência em Portugal em indivíduos do sexo masculino e estima-se que afete cerca de 3 000 indivíduos por ano. A nível mundial é ainda o sexto cancro mais comum, com números que rondam os 143 000 casos de cancro de cabeça e de pescoço.

Este tipo de cancro sempre foi associado a homens, de idade superior a 50 anos, fumadores e consumidores regulares de bebidas alcoólicas. Contudo, a tendência tem vindo a mudar e este tipo de tumores está a aparecer em indivíduos mais jovens entre os 30 e 45 anos que não fumam ou consomem álcool com regularidade. Esta incidência está relacionada com o Papiloma vírus Humano (HPV) e, apesar de não existirem avaliações concretas sobre o número de casos de cancro de cabeça e de pescoço causados pelo HVP, estima-se que até 2020 esta seja a maior causa deste tipo de cancros.

O HPV é um vírus muito frequente. Este pode infetar tanto homens como mulheres e é facilmente transmitido por contacto genital, sendo o principal agente responsável por infeções genitais. Estima-se que 75 a 80% das pessoas sexualmente ativas, tenham contacto com o vírus em algum momento das suas vidas.

Este vírus pode afetar a pele e as membranas húmidas que cruzam certas partes do corpo humano, nomeadamente, boca e garganta e o facto de estar associado a tumores na região da cabeça e pescoço deve-se à prática de sexo oral, sem proteção e com múltiplos parceiros. Junte-se ainda causas como a falta de higiene oral.

Apesar da gravidade e números registados existe pouca consciência deste tipo de cancro, nomeadamente as localizações possíveis e o seus primeiros sinais e sintomas. Este tipo de cancro tem origem na pele ou nos tecidos moles, na parte superior dos aparelhos respiratório e digestivo: cavidade oral, orofaringe, hipofaringe, nasofaringe, laringe, seios perinasais, glândulas salivares e envolvimento das cadeias ganglionares cervicais por tumor primário oculto.

No que toca aos sintomas, em geral, os mais comuns são um inchaço ou uma ferida na cavidade oral, dificuldade em engolir, dores de ouvidos, rouquidão ou dores de garganta incessantes. Por serem sintomas facilmente confundidos com outras condições benignas, 60% dos doentes com cancro de cabeça e pescoço são diagnosticados numa fase avançada com uma esperança média de vida de cinco anos e, nestes casos, as consequências são mais drásticas.

É extremamente importante o diagnóstico precoce de forma a permitir um tratamento eficaz. Pois, quando diagnosticado numa fase inicial, o tratamento deste tipo de cancro tem uma taxa de sucesso entre os 80 e 90%. Desta forma, o desafio passa por esclarecer a população para que reconheçam os primeiros sinais e sintomas.

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