Desconhecimento dos sintomas da deficiência de ferro atrasa e impede diagnóstico da anemia

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A deficiência de ferro afeta cerca de um terço da população mundial e um em cada três portugueses, revelam novos dados Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda assim, mantém-se pouco reconhecida e subdiagnosticada, apesar de ser uma das principais responsáveis pela anemia. Sob o lema “Não brinque com a anemia, tenha uma saúde de ferro!”, a campanha da Associação Portuguesa para o Estudo da Anemia (AWGP) alertou ontem, no Dia da Anemia, para este desconhecimento e barreiras ao diagnóstico.

A data justifica também o lançamento de uma aplicação para telemóvel, gratuita e disponível para Android e iOS – Sintomas da deficiência de ferro – que ajuda a compreender o problema e a identificar os sintomas. São eles a fadiga generalizada, as unhas frágeis, a perda de cabelo ou o síndrome das pernas inquietas, a falta de ar, maior suscetibilidade para infeções, as aftas ou as dores de cabeça.

Segundo o estudo EMPIRE, trabalho realizado em todo o território continental, cerca de 52,7% de todos os casos de anemia são resultado de uma deficiência de ferro. “Quando esta se instala, significa que o ferro é insuficiente para dar resposta às necessidades do organismo, uma vez que este é essencial para o funcionamento saudável de todo o corpo, incluindo coração, músculos e glóbulos vermelhos, com impacto também ao nível da saúde mental” explica a  AWGP em comunicado às redações. A OMS reconhece a existência de uma redução de 30% no rendimento do trabalho e do desempenho físico em homens e mulheres com deficiência de ferro.

O estudo EMPIRE revelou ainda que 84% dos afetados desconhecem que sofrem de anemia, com apenas 2% dos inquiridos a fazer tratamento no momento do inquérito. Uma situação que resulta do desconhecimento dos sintomas, tornando o diagnóstico um verdadeiro desafio. E isto porque, de facto, alguns destes sintomas são vagos ou podem ser confundidos com várias outras condições clínicas.

“As pessoas acabam por não os valorizar”, confirma António Robalo Nunes, presidente da AWGP . “É o que acontece, por exemplo, com o cansaço inexplicável, o sintoma mais comum a todos os quadros de anemia, que é sempre desvalorizado. E porque isso acontece, as pessoas não se queixam e acabam por se habituar a viver com a anemia, até que esta atinja níveis de gravidade elevados, precipitando situações prévias de doença que se tornam mais difíceis de controlar”.

A AWGP entregou, este mês, na Assembleia da República, uma petição na qual foram reunidas mais de 4.500 assinaturas para a criação do dia Nacional da Anemia.

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