I Congresso Nacional das Associações de Pessoas com Diabetes: “Falar de diabetes é preciso”

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A Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes (FPAD), que conta atualmente com 15 associações espalhadas por todo o país e regiões autónomas, surgiu com o objetivo de “dar voz às pessoas com diabetes, defender os seus direitos e lutar por melhores condições de vida”, explica Emiliana Querido. Antevendo o I Congresso Nacional das Associações de Pessoas com Diabetes, que se realizará nos dias 12 e 13 de abril, em Mêda, na Guarda, a presidente da FPAD revela, em declarações ao Raio-X, que “as expetativas são as melhores, toda a região se envolveu e acreditamos que será o primeiro de muitos”.

A FPAD visa “dar voz às pessoas com diabetes, defender os seus direitos e lutar por Emiliana Queridomelhores condições de vida” e, nesse sentido, surgiu a necessidade da realização deste I Congresso, cujos objetivos passam por “pôr as associações a falar e a refletir umas com as outras, partilhando necessidades, mas também boas práticas. Por outro lado, pretende dar-se a conhecer novas tecnologias, terapias e alimentação complementares à terapêutica para a diabetes que as pessoas merecem conhecer”.

O encontro, que vai ter lugar em Mêda, na Guarda, pretende abordar a diabetes nas mais variadas vertentes, aliando sessões informativas a momentos de atividades práticas e ao debate associativo. O presente e o futuro da doença, a prática de desporto e a sua compatibilidade com a diabetes, e os cuidados na alimentação são algumas das temáticas em destaque no congresso. “Teremos demonstrações sensoriais, novas dietas, pensar diferentes sobre a diabetes, a perspetiva dos cuidadores informais e surgirão algumas surpresas no decorrer do congresso”, explica Emiliana. A presença e participação das várias associações portuguesas dedicadas à área da diabetes vai promover o debate numa mesa redonda sobre o papel de cada uma na formação de um futuro melhor.

Antevendo o evento, Emiliana frisa que “o facto de termos tido a ousadia de levar o nosso primeiro congresso ao interior foi um grande desafio, aliás esse é um dos objetivos da FPAD. As expetativas são as melhores, toda a região se envolveu e acreditamos que será o primeiro de muitos”. A presidente da FPAD revela ainda que “este congresso é algo a que queremos dar continuidade, pelo menos duas vezes por ano, sendo que é importante que as entidades ouçam as associações, que as associações se ouçam, convivam, trabalhem em conjunto e mostrem o que fazem. É igualmente importante que a comunidade siga o que se vai passando na diabetes, na sua linguagem e na sua localidade”.

Este congresso destina-se a toda a comunidade, doentes e familiares, profissionais de saúde e estudantes e contará com a presença do MOVA, da CNOD, da REDMUT e de alguns representantes da indústria. “O nosso congresso é gratuito pois é aberto a todas as pessoas e a todas as associações e profissionais de saúde que trabalham com e pela diabetes, pelo que a FPAD tem todo o gosto em receber todos os que queiram fazer parte deste movimento, porque falar de diabetes é preciso”, conclui.

Viver com diabetes

Emiliana Querido foi diagnosticada há 9 anos com diabetes tipo1 quando, inesperadamente, foi hospitalizada em coma diabético “o diagnóstico foi inesperado para mim, uma vez que desconhecia a doença e os seus sintomas, tendo desvalorizado cada um deles (cansaço, sede, emagrecimento…) e tendo sido hospitalizada pelo agravamento dos mesmos, já em coma diabético”, explica.

Durante o internamento revela não ter tido noção do que seria a diabetes e, só meses após o diagnóstico se apercebeu da dimensão desta doença crónica. “Viver com diabetes foi um susto que tive que aceitar, embora não tenha sido sempre fácil”, explica.

A partir do momento do diagnóstico e, embora a diabetes bem controlada não confira limitações diárias, Emiliana esclarece que “já não fazemos nada como antes, sem pensar que temos diabetes. Quando comemos, quando fazemos exercício, quando pensamos na maternidade, quando trabalhamos. É uma ocupação a tempo inteiro. Não mudei a minha alimentação, por exemplo, pois já fazia uma alimentação equilibrada, mas tive de adaptar os meus horários e tentar ter uma vida mais tranquila.”. No dia-a-dia, Emiliana gere todo o seu tempo de forma a ter sempre a diabetes sob controlo: “temos de estar atentos aos valores a todas as horas e agir em conformidade. Quando comemos fazemos contas, quando nos cansamos fazemos contas, quando cozinhamos fazemos contas”. Faz a medição ao acordar, antes de comer, entre refeições e quando necessário faz o ajuste dos valores – ingestão de açúcar quando os valores estão baixos e insulina quando estão altos. A insulina é administrada, habitualmente, antes das refeições. Para além disso, deve ser feita “a contagem de hidratos de carbono” e evitar estar muito tempo sem comer, bem como deve ser promovida a prática de atividade física “nem que seja apenas 30 minutos de caminhada” elucida Emiliana.  “Apesar dos avanços na tecnologia e na investigação que nos dão uma qualidade de vida cada vez melhor, não é fácil lidar diariamente com a diabetes. O facto de termos de ajustar a medicação todas as semanas ou meses, todos os dias corrigir, medir, contar, não é fácil. Durante o dia não nos esquecemos que temos diabetes. É desgastante e muitas vezes desanimador”.

No entanto, Emiliana assegura que esta é uma doença que promove a união e a partilha de conhecimentos entre os doentes e, nesse aspeto “a diabetes trouxe-me muito mais do que me tirou. Pior é lidar com o preconceito que ainda existe, fruto da falta de informação e de se confundir a diabetes tipo1 com a diabetes tipo2. A nível social ainda há muito para fazer, informar para prevenir (diabetes tipo 2) e para evitar os muitos estigmas que ainda existem quando se fala de diabetes (e diabetes tipo 1, autoimune, ainda mais)”.

Por Rita Rodrigues

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