Profissionais de saúde revelam falhas no acompanhamento das pessoas com diabetes nos cuidados de saúde em Portugal

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9 em cada 10 profissionais de saúde consideram que os cuidados de saúde em Portugal não estão devidamente organizados para o acompanhamento das pessoas com doenças crónicas incluindo a diabetes, revela o estudo português, DAWN2 – A diabetes para além dos números, o primeiro estudo nacional que analisa atitudes, desejos e necessidades na diabetes de pessoas que vivem com esta patologia, bem como familiares, cuidadores e profissionais de saúde da área. Desenvolvido pela Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), com o apoio da Novo Nordisk, o trabalho envolveu 227 profissionais de saúde entre os quais médicos de medicina geral e familiar (68), endocrinologistas (40), nutricionistas e enfermeiros (119).

O estudo revela também que os profissionais de saúde gostariam de ver mais proatividade por parte das pessoas com diabetes na gestão da sua doença: 7 em cada 10 profissionais de saúde apreciam que as pessoas com diabetes lhes digam  qual a melhor forma de os ajudarem a gerir a doença e 6 em cada 10 profissionais considera necessário formação em comunicação e suporte para a mudança de comportamentos. Depois, metade dos inquiridos considera que disponibilizar educação para a autogestão da diabetes contribui para a redução do impacto da diabetes e defende ser importante envolver as pessoas com diabetes diretamente nos esforços para melhorar a qualidade dos cuidados e serviços.

Relativamente ao tratamento da diabetes, destaca-se o facto de 73% dos especialistas e 71% dos médicos de medicina geral e familiar considerarem necessário diminuir o risco de hipoglicemia para melhorar o resultado dos tratamentos. A diminuição do risco de aumento de peso e menos efeitos secundários também são valorizados.

O presidente da APDP, José Manuel Boavida explica que “Os profissionais de saúde inquiridos mostraram uma clara preocupação com a necessidade de organização no acompanhamento das pessoas com diabetes fruto do abandono do Programa Nacional da Diabetes que houve nos últimos tempos. Faltam equipas multidisciplinares organizadas para trabalharem no acompanhamento das pessoas com diabetes e famílias, cuidados personalizados e adequados às reais necessidades das pessoas e uma real intervenção comunitária com redes de apoio social. A diabetes é uma doença crónica com complicações gravíssimas e que representa um enorme fardo para o SNS. Deve ser uma prioridade absoluta para o Ministério da Saúde e para o Governo Português. Além de ser preciso mais organização, é necessário uma maior consciencialização da sociedade e apoios sérios à educação terapêutica, que levem a mudanças reais no comportamento das pessoas com diabetes.”

O DAWN 2 – Profissionais de Saúde revela ainda que pelo menos 6 em 10 especialistas consideram importante entender os problemas emocionais que a diabetes acarreta. Os aspetos emocionais da diabetes são valorizados apenas por 34% dos médicos de medicina geral e familiar e 40% dos enfermeiras/nutricionistas.

O estudo, que teve os dados recolhidos no primeiro semestre de 2017, integra o mesmo estudo a nível internacional que advém de uma rede de especialistas e organizações de 17 países, como a Federação Internacional de Diabetes (IDF), a Aliança das Organizações Internacionais de doentes (IAPO) e agora também a APDP, que têm iniciado desde 2011 o projeto DAWN com o objetivo de aumentar o conhecimento e a sensibilização sobre as necessidades por satisfazer das pessoas com diabetes e dos seus familiares, para melhorar o diálogo e a colaboração e potenciar o envolvimento das pessoas, aumentando a autogestão e o apoio psicossocial no tratamento da diabetes.

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