O impacto positivo da prática de exercício físico na diabetes

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Com o objetivo de sublinhar o impacto positivo da prática de exercício físico na diabetes, a Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes (FPAD) apresentou no passado dia 21 de Julho, em Coimbra, a equipa oficial que vai representar Portugal num encontro desportivo em Itália – Spoleto. Denominado “DIABETIC RUNNERS AND CYCLISTS FOR MORE SPORT FOR ALL IN EUROPE” “SPORTGIVECHANCE” o encontro junta atletas com um percurso desportivo nas mais diversas modalidades desde a corrida, trail, ciclismo, futebol, basquetebol, entre outros, e todos diabéticos. Gabriela Lopes tem 52 anos é atleta, portadora de diabetes tipo 1 há 29 anos. Em declarações ao Raio-X, a professora de Educação Física explica a importância do exercício físico nas pessoas com diabetes e os cuidados que estas devem ter para a prática segura do desporto.

Atleta Gabriela Lopes (003)

RAIOX (RX) – Qual é o benefício do exercício físico nas pessoas com diabetes?

Gabriela Lopes (GL) – O exercício físico, a medicação (insulina ou antidiabéticos orais) e a alimentação controlada são os três pilares para o controlo da diabetes. A prática de exercício físico regular de médio impacto é muito importante para todos, sendo um dos elementos que ajuda, no caso dos diabéticos tipo 1 (DT1), no controlo da doença reduzindo a necessidade de insulina diária. Além disso está associado à sensação de bem-estar.

RX – Quais são os cuidados a ter, por parte das pessoas diabéticas, durante a prática de exercício físico para evitar hipoglicemias?

GL – Um dos maiores cuidados está relacionado com o controlo da insulina antes da atividade física. Antes da prática de exercício, a dose de insulina deve ser reduzida. Se possível, durante o exercício, não deve haver uma grande quantidade de insulina ativa. Os doentes com diabetes tipo 1 que fazem tratamento com bomba infusora podem reduzir ou interromper a libertação de insulina durante a prática da atividade física e quem faz tratamento com caneta de insulina deve reduzir a dose basal anterior à prática da atividade física. O conhecimento da reação do corpo à prática do exercício físico deve ser tomado em consideração. Quando se inicia a prática de exercício físico esta deve ser gradual. Devemos estar sempre prevenidos para combater uma hipoglicemia que possa ocorrer.

RX – Qual o tempo recomendado para a prática de exercício físico nas pessoas com diabetes?

GL – O mesmo que para qualquer outra pessoa. A meta recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para adultos saudáveis com idade entre os 18 e os 65 anos é de 30 minutos de atividade física de intensidade moderada cinco dias por semana, ou pelo menos 20 minutos de atividade física de intensidade vigorosa três dias por semana. Deverão ainda ser realizadas atividades que permitam melhorar a força muscular e a resistência, dois a três dias por semana.

RX – Há alguma modalidade ou algum exercício que deve estar contraindicado para pessoas com diabetes?

GL – O mergulho é pouco recomendado, pois a hipoglicemia pode ser muito complicada, mas não está vedado… Outras modalidades radicais, mas muito radicais podem ter um risco acrescido, mas se o domínio da diabetes for bom, nada está proibido!

RX – De que forma é que o exercício físico, combinado com a terapêutica farmacológica, pode evitar complicações da diabetes, como as doenças cardiovasculares?

GL – O exercício físico é um dos fatores que mais favorece o controlo da diabetes quer do tipo 1 quer do tipo 2. É reconhecido pela OMS que o corpo humano, em consequência da atividade física regular, passa por alterações morfológicas e funcionais, que podem evitar ou adiar o surgimento de determinadas doenças e melhorar a capacidade para o esforço físico, em qualquer individuo. Existem atualmente provas suficientes para demonstrar que as pessoas que têm uma vida fisicamente ativa podem obter um conjunto de benefícios para a saúde, incluindo os seguintes:

› Redução do risco de doença cardiovascular;

› Prevenção e/ou atraso no desenvolvimento de hipertensão arterial, e maior controlo da tensão arterial em indivíduos que sofrem de tensão arterial elevada;

› Bom funcionamento cardiopulmonar;

› Controlo das funções metabólicas e baixa incidência da diabetes tipo 2;

› Maior consumo de gorduras, o que pode ajudar a controlar o peso e diminuir o risco de obesidade;

› Diminuição do risco de incidência de alguns tipos de cancro, nomeadamente dos cancros da mama, da próstata e do cólon;

› Maior mineralização dos ossos em idades jovens, contribuindo para a prevenção da osteoporose e de fraturas em idades mais avançadas;

› Melhor digestão e regulação do trânsito intestinal;

› Manutenção e melhoria da força e da resistência musculares, o que resulta numa melhoria da capacidade funcional para levar a cabo as atividades do dia-a-dia;

› Manutenção das funções motoras, incluindo a força e o equilíbrio;

› Manutenção das funções cognitivas, e diminuição do risco de depressão e demência;

› Diminuição dos níveis de stress e melhoria da qualidade do sono;

› Melhoria da autoimagem e da autoestima, e aumento do entusiasmo e otimismo;

› Diminuição do absentismo laboral (baixas por doença);

› Em adultos de idade mais avançada, menos risco de queda e prevenção, ou retardamento de doenças crónicas associadas ao envelhecimento.

RX – Qual é a importância de encontros desportivos como a “DIABETIC RUNNERS AND CYCLISTS FOR MORE SPORT FOR ALL IN EUROPE”?

GL – Viver com a diabetes não é fácil. É uma tarefa de 24 horas diárias e de sete dias por semana, sem FÉRIAS. Nada está proibido às pessoas com diabetes. O facto de se demonstrar publicamente e com provas de grande exigência é uma forma de dar a conhecer a toda a gente e de incentivar recém-diagnosticados a praticarem atividade física. A sensação de estar com outras pessoas com a mesma questão médica e trocar experiências a todos os níveis é de uma grande aprendizagem a todos os níveis – pessoal, medico, atlético e profissional. É uma iniciativa fabulosa!!

Sabia que…

A diabetes apresenta vários tipos, sendo por exemplo o TIPO 1 uma doença autoimune e por isso não tem a ver com os hábitos de vida e muito menos com a alimentação (Imagine-se os bebés que já nascem com diabetes tipo 1, por exemplo). Muitos diabéticos TIPO 2 também têm grande carga genética e hereditária pelo que nesses casos não se demonstra causalidade direta com os maus hábitos alimentares e estilo de vida não saudável. A alimentação saudável ajuda todas as pessoas a retardar complicações de saúde e as pessoas com mais risco de terem diabetes TIPO 2 ou outras patologias beneficiam obviamente.

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