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Quase nove em cada dez idosos com 85 ou mais anos de idade já estão vacinados contra a gripe, com uma cobertura de 88,5%

Quase nove em cada dez idosos com 85 ou mais anos de idade já estão vacinados contra a gripe, com uma cobertura de 88,5%

Os dados da quarta e última vaga do relatório Vacinómetro® — que monitoriza, através de questionários, a vacinação contra a gripe na época gripal 2025/26 — revelam que 88,5% dos indivíduos com 85 ou mais anos de idade foram vacinados. Entre estes, 59,2% referiram ter sido informados pelo profissional de saúde de que lhes estava a ser administrada a vacina de dose elevada.

Os dados revelam também que da população incluída nas recomendações da Direção-Geral da Saúde (em vigor desde o início da campanha de vacinação) já terão sido vacinados contra a gripe sazonal desde o início da época 2025/26:

  • 85,4% das pessoas com doença crónica, com a subanálise a indicar níveis particularmente elevados de cobertura: 89,7% entre pessoas com doença respiratória, 88,9% entre pessoas com diabetes e 86% na população com doença cardiovascular
  • 61,8% da amostra total inquirida, correspondendo a um aumento de 14,4 pontos percentuais face à mesma vaga da época 2024/2025.
  • 73,5% das pessoas com 65 ou mais anos, valor que, pelo segundo ano consecutivo, deixa Portugal muito próximo — mas ainda ligeiramente abaixo — da meta de 75% definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para este grupo etário
  • 65,6% das pessoas com 60 ou mais anos.
  • 64,7% dos profissionais de saúde com contacto direto com doentes, traduzindo uma subida expressiva de 15 pontos percentuais face à época passada (49,7%).
  • 60,6% das grávidas, sendo que 65,7% afirmam ter sido vacinadas por recomendação do seu médico.
  • 39,8% das crianças entre os 6 e os 24 meses.

Os resultados do Vacinómetro estão em linha com os dados oficiais divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS) no seu relatório semanal (último foi enviado no dia 24 de fevereiro). A cobertura de vacinação da população com 85 ou mais anos é de 88,5% no Vacinómetro e de 87,85% no relatório da DGS, e no grupo com 65 ou mais anos os valores são de 73,5% e 72,94%, respetivamente. Estas diferenças mínimas, abrangidas pelos intervalos de confiança do estudo, validam a robustez destes dados.

O crescimento face à época vacinal anterior é um dos principais destaques desta 4.ª vaga. A cobertura total da amostra subiu 14,4 pontos percentuais, de 47,4% para 61,8%. Este aumento foi particularmente expressivo em grupos-chave como os profissionais de saúde, que registaram um crescimento de 15 p.p. (de 49,7% para 64,7%), e nos doentes crónicos, com uma subida de 9,8 p.p. (de 75,6% para 85,4%).

distribuição geográfica da população vacinada com 65 ou mais anos de idade é a seguinte: 85,4% no Alentejo, 82,3% na região Centro, 81,3% na região Norte, 80,7% no Algarve, 79,5% na Região Autónoma da Madeira, 75,7% na Área Metropolitana de Lisboa e 75,0% na Região Autónoma dos Açores.

Do total do grupo de indivíduos vacinados, na amostra total estudada, a recomendação do médico foi o principal motivo que levou as pessoas a vacinarem-se (33,1%), tendo sido especialmente relevante nos grupos de risco como doentes crónicos (39,1%) e grávidas (65,7%), com a Medicina Geral e Familiar a ser responsável por 99,1% destas recomendações no grupo com 60 ou mais anos.

Jorge Ferreira, Presidente

Sociedade Portuguesa de Pneumologia

“Estes resultados representam um marco importante para a saúde pública em Portugal, em particular a extraordinária cobertura de quase 90% entre a população com 85 ou mais anos. Este nível de proteção traduz-se numa menor probabilidade de complicações graves e numa redução significativa da pressão sobre os serviços de saúde. Mostra também que os grupos mais vulneráveis — e quem cuida deles — reconhecem a vacinação como a principal ferramenta de prevenção. Apesar de, pelo segundo ano consecutivo, ficarmos muito perto da meta de 75% da OMS para a população acima dos 65 anos, o aumento consistente da cobertura vacinal na maioria dos grupos demonstra que estamos claramente no rumo certo. A mensagem é inequívoca: a prevenção funciona e devemos continuar a reforçá-la para proteger quem mais precisa.”

Desta quarta e última vaga, podemos aferir que menos de 2% dos não vacinados tenciona ainda vacinar-se durante esta época. O principal motivo apontado para a não vacinação continua a ser “não ser hábito” (49,7%).

Relativamente à coadministração da Vacina contra a Gripe e COVID-1952,2% das pessoas vacinadas pertencentes aos grupos com recomendação optou pela mesma. Dentro deste grupo, o principal motivo para esta escolha foi a perceção de que “ambas são importantes para a minha saúde” (64,6%). Para os que não optaram pela coadministração, o principal motivo foi a “vontade própria de não o fazer” (40,1%).

Destacamos também que 52,9% da amostra total estudada sabe que está disponível gratuitamente uma vacina de dose elevada para a população com 85 ou mais anos. Separadamente, no grupo específico de vacinados com 85 ou mais anos, 59,2% referem ter sido informados pelo profissional de saúde de que estaria a receber esta vacina de dose elevada.

Os locais preferenciais de aquisição/administração da vacina variam em função da população-alvo. De acordo com os dados, a totalidade dos profissionais de saúde vacinados (100%) recebeu a vacina gratuitamente no local de trabalho. A população com 85 ou mais anos recebeu-a de forma esmagadora no Centro de Saúde (96,4%), local também privilegiado pela população com 65 ou mais anos (65,2%). Já a população entre os 60 e os 64 anos recebeu a vacina maioritariamente na farmácia (40,4%).