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Acidentes de viação e AVC responsáveis por 2/3 dos danos cerebrais adquiridos acompanhados pela Novamente

Acidentes de viação e AVC responsáveis por 2/3 dos danos cerebrais adquiridos acompanhados pela Novamente

O AVC e os traumatismos cranianos graves, são das principais causas de dano cerebral adquirido (DCA), e são quase sempre tratados no Serviço Nacional de Saúde (SNS). É no setor público que se salvam vidas, que se fazem as primeiras intervenções, que se inicia o longo processo de reabilitação. Mas à medida que o setor privado da saúde cresce em dimensão e influência, impõe-se uma pergunta: o que sabemos sobre o que se passa nos hospitais privados?

A resposta é desconcertante: muito pouco. Apesar do número crescente de unidades privadas, a informação sistematizada sobre os casos de DCA tratados nesses contextos é praticamente inexistente. Não há dados públicos, relatórios regulares ou sequer estimativas fiáveis.

Esta assimetria resulta do facto de o setor privado da saúde operar sem que haja obrigação legal de reportar casos, muito menos de partilhar dados anonimizados com o sistema nacional. É uma cegueira estatística que afeta não só o Estado, mas sobretudo as pessoas.

Neste contexto, a Associação Novamente fez um levantamento dos dados agregados sobre a origem do Dano Cerebral Adquirido (DCA) das pessoas que acompanha desde 2010 e os resultados mostram que a maioria dos casos (46%) tem origem em acidentes de viação (carro, mota ou atropelamento), quedas e em AVCs, de acordo com esta distribuição:

  • Acidente de carro: 25,1%
  • Queda: 23,3%
  • AVC (Acidente Vascular Cerebral): 11,9%
  • Acidente de mota: 11,8%
  • Atropelamento: 10,1%
  • Aneurisma: 3%

A maioria das pessoas com DCA apoiadas pela Novamente, cerca de 3/4, são do sexo masculino e apenas 1/4 do sexo feminino.

Por idades, e sabendo que o Dano Cerebral Adquirido é o nome técnico para uma agressão ao cérebro que acontece ao longo da vida e não no nascimento, verifica-se que a maioria acontece em plena vida ativa. Ou seja, cerca de metade destes casos aconteceram a pessoas com idades entre os 30 e os 50 anos, cujas vidas ficam transformadas para sempre, com impacto no emprego, na família e no convívio com os amigos.

Contudo, esta realidade está a mudar, uma vez que o número de casos por AVC que chegam à Novamente está a aumentar. Só em janeiro deste ano, são mais de 50% dos novos casos atendidos pela Novamente com origem em AVCs.

Na verdade, a vítima de Dano Cerebral adquirido é o próprio e toda a sua família. E é um problema de saúde pública que urge ser tratado com prioridade e de forma estruturada para potenciar a prevenção, mas também para conseguirmos que não se perca a pessoa e a família e para que possam ser encaminhados para viverem a nova vida com qualidade.

Apoio pós alta hospitalar é, sobretudo, assegurado pela sociedade civil

Desde 2010 que a Associação Novamente apoia pessoas com Dano Cerebral Adquirido, num universo que abrange mais de 3.000 beneficiários, entre pessoas com DCA, cuidadores e famílias.

O apoio prestado pela Novamente centra-se, principalmente, na ajuda a superar o desgaste emocional, a sobrecarga financeira e a falta de recursos especializados inerentes à inexistência de respostas públicas, que tornam a reabilitação das pessoas com DCA um processo difícil e solitário.

Nos últimos cinco anos, a Novamente consolidou-se como referência no apoio a pessoas com DCA, investiu no garante da melhor qualidade de vida da família e na capacitação e maximização da independência, reabilitação e reintegração socio profissional da pessoa com DCA.

Com o compromisso de “Viver novamente”, a Novamente continua a expandir a sua atuação, mobilizando recursos e a sociedade em prol de uma causa que faz toda a diferença para milhares de famílias. Através de uma estratégia eficiente e sustentável, a Novamente tem conseguido entregar um retorno económico significativo, já que cada euro investido na associação resultou num retorno social e económico quase quatro vezes superior. Isto significa que, por cada €1 investido, a Novamente gerou quase €4 em valor social e económico, reduzindo custos para famílias e para o sistema público de saúde e assistência.

O que estes dados evidenciam

Os números agregados das causas do DCA mostram uma realidade com forte impacto social. Para Vera Bonvalot, Diretora Executiva da Novamente, “por detrás destes dados está uma realidade crua e silenciosa de pessoas ativas, independentes, com rotinas, responsabilidades e sonhos que, de repente, são confrontadas com um Dano Cerebral Adquirido (DCA). Não é uma estatística distante. Pode acontecer a qualquer um, a qualquer momento. E continua a acontecer, todos os dias.”

Segundo Vera Bonvalot, “falta criar um percurso integrado pós-DCA e definir um verdadeiro estatuto funcional do gestor de familia do DCA, com rede de respostas na comunidade. Trata-se de um problema de saúde pública que urge ser tratado com prioridade e de forma estruturada.”

Sobre a Novamente

A Associação Novamente (www.novamente.pt) nasceu pelas mãos de Luiz, Pai de Luís Miguel que, numa tarde a praticar horseball sofre uma queda do cavalo, provocando-lhe um traumatismo crânio-encefálico grave aos 29 anos. As suas vidas ficaram suspensas por não encontrarem respostas para esta que seria uma nova vida para toda a família.

Assim, juntou-se a familiares, amigos e médicos ligados à problemática do traumatismo crânio-encefálico e, em 2010, criou a Associação Novamente, com o objetivo de trazer respostas a este público-alvo.

Hoje, a Associação Novamente – Dano Cerebral Adquirido é uma entidade de referência nacional que apoia diferentes danos cerebrais adquiridos, através de serviços de apoio, recapacitação e reintegração.