“A abordagem da anemia faz parte da terapêutica de suporte de um doente oncológico”

A anemia representa um risco para os doentes com cancro, confirma Dialina Brilhante, especialista em imuno-hemoterapia hospitalar e representante da Associação Portuguesa de Imuno-hemoterapia. “No que diz respeito à anemia e deficiência de ferro, os doentes oncológicos são um grupo que merece a nossa atenção, uma vez que há um conjunto de terapêuticas antineoplásicas que induzem a destruição dos glóbulos vermelhos ou uma insuficiência na sua produção”, refere a especialista, que conclui: “a anemia é uma área para a qual temos que estar sempre atentos porque podemos corrigi-la, suplementando aquilo que estiver em falta”.

Apesar da especificidade destes doentes, “a estratégia de enquadramento da anemia é a mesma que na restante população”, refere a médica. Ou seja, é necessário “identificar potenciais défices e caracterizá-los e encontrar-lhes uma causa. Se podermos corrigi-los com terapêutica médica, avançamos, se não tivermos tempo, teremos que transfundir componentes sanguíneos.” No entanto, salienta, “a transfusão é um instrumento ao qual só devemos recorrer em última linha. Se podemos utilizar outros recursos, temos de o fazer”.

No caso dos doentes oncológicos, a correção da ferropénia é feita com ferro, “que pode ser administrado tanto de forma oral, como endovenosa. Se o doente tiver uma síndrome inflamatória, que não favorece a absorção de ferro, é preferível a administração de ferro endovenoso porque com o ferro oral a absorção é errática e diminuída”. A administração de ferro endovenoso obriga à sua realização em meio hospitalar. “Este tratamento está disponível no internamento de qualquer hospital e nos hospitais de dia dos serviços de imuno-hemoterapia, cujo acesso pode ser solicitado por referenciação dos doentes”.

Apesar de ter impacto na vida de todos os que dela sofrem, a anemia do doente oncológico “tem particularidades que a individualizam das outras”, afirma Dialina Brilhante. “A abordagem da anemia faz parte da terapêutica de suporte de um doente oncológico, tal como a abordagem da dor, da infeção ou do tromboembolismo. Em termos de prognóstico, a existência da anemia não é inócua, tem repercussões na qualidade de vida dos doentes e por isso devemos avaliar caso a caso.”

Um dia dedicado à anemia é, para a especialista, muito importante, uma vez que pode não ser claro para todos os portugueses que a anemia é algo que está presente na nossa população, apesar de ser “fácil ultrapassarmos esta situação. Se este dia servir para chamar à atenção para a importância do seu diagnóstico e da sua correção, acho que vale a pena.” Quanto a uma eventual desvalorização da anemia, a especialista não tem a certeza, “mas a sua priorização é, muitas vezes, discutível. Eu percebo que, num doente com uma situação clínica de grande gravidade, como o diagnóstico de um tumor, a prioridade deve ser esse diagnóstico e a anemia passa para segundo plano. Mas se precisar de uma cirurgia urgente, então a anemia passa a ser uma prioridade”.


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