Dia Mundial da Artrite Reumatoide: tudo o que precisa de saber

No âmbito do Dia Mundial da Artrite Reumatoide, que se assinala hoje – 5 de abril – o reumatologista Luís Cunha Miranda partilhou com o Raio-X um artigo de sua autoria sobre esta patologia.

A artrite reumatoide (AR) é uma das mais de 200 doenças reumáticas e músculo-esqueléticas todas elas diferentes, uma patologia que afeta mais de metade da população adulta portuguesa sofre de pelo menos uma doença reumática. Ressalvando que todas as doenças reumáticas e músculo-esqueléticas provocam ou podem provocar e a presença de dores e alterações músculo-esqueléticas com limitação na capacidade de mobilização ou de utilização das articulações e músculos.

Em Portugal, esta patologia afeta quatro vezes mais a mulher que o homem e, como tal, devemos estar atentos às queixas articulares nomeadamente se não tiverem uma causa identificável ou se perdurarem por semanas ou meses. Referindo que, como doença reumática sistémica pode envolver para além do sistema músculo-esquelético outros órgãos como o pulmão o coração os olhos etc.

Com foco na dor, é importante mencionar que as dores são de características inflamatórias o que quer dizer que são mais de manhã ou ao final da noite, melhorando ao longo do dia, associando-se a uma sensação de rigidez ou de “ferrugem” das articulações que estão perras ou de difícil mobilização pela manhã prolongando-se essa rigidez por mais de 30 minutos. Além disso, interfere de forma abrupta com todas as áreas da vida, limitado a capacidade de trabalho da relação com os outros e com a família.

O diagnóstico precoce é assim fundamental, para salvaguardar o bem-estar do doente e para que este entenda que uma dor que envolva uma ou mais articulações que não tenha uma causa aparente e que se prolongue de dias para semanas não é normal e deve ser investigada. Particularmente, se as articulações estiverem inchadas (com edema calor e vermelhidão). Além disso, permite um acompanhamento pelo especialista em Reumatologia e um plano conjunto e as medicações adaptadas podem devolver a um doente se não a totalidade pelo menos a quase totalidade da sua vida. E é de vida que falamos, da capacidade de tomar conta de si e os seus filhos, de poder ir trabalhar e estar disponível para tal, o de poder dormir e descansar o de andar sem dores ou de poder voltar a fazer o que todos nós queremos fazer.

Mencione-se ainda que atualmente temos muitas opções para atingir objetivos ambiciosos de obter a remissão ou a baixa atividade da doença. Medicamentos biológicos ou biotecnológicos ou os mais recentes inibidores do JAK podem caso se falhe medicamentos mais simples fazer uma extraordinária diferença na vida mesmo de casos mais graves de artrite Reumatoide. Tal significa termos um quadro clínico que apesar de crónico, e, portanto, para toda a vida, possa devolver a vida o mais plena possível ao doente com o menor impacto possível da doença.

Temos assim de trabalhar para uma boa ligação entre o doente, o médico de família e em Reumatologia. Uma ligação que permite uma visão estratégica para conseguirmos acompanhar a evolução dos doentes ao longo da sua vida com a doença.


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