Fast Track Cities: o programa que está a envolver o poder local no diagnóstico e tratamento do VIH

A iniciativa Fast Track Cities foi lançada pelas Nações Unidas em 2015, em Paris. Este projeto está, em todo o mundo, a envolver a governação local, as instituições de saúde, e as instituições da sociedade civil. O objetivo é eliminar de uma forma local o VIH e criar uma rede integrada de cuidados que envolva as várias instituições.

O que se quer é reunir cidades e municípios para acelerar rapidamente a implementação dos objetivos 2020 da ONUSIDA, ou seja, os objetivos 90-90-90 (90% das pessoas com HIV diagnosticadas; destas, 90% em tratamento e 90% com carga viral indetetável). Ontem, nas instalações do Infarmed realizou-se uma conferência “Perspectivas da Governação Local”.

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Em Portugal, o programa tomou o nome de “Cidades na Via Rápida para acabar com a epidemia VIH”. Kamal Mansinho, Coordenador Executivo deste Grupo de Trabalho, explica que o que se pretende é congregar esforços em conjunto com as autarquias para a elaboração de programas que definam os passos a tomar para promover a eliminação da infeção pelo VIH nas principais cidades do país. Para além disso, o projeto quer, de certa forma, inovar: querem estender a abordagem a mais doenças que normalmente acompanham o diagnostico do VIH, como a tuberculose.

De acordo com o programa nacional, pretende-se propor localmente que cada um ajuste a sua ação, utilizando as ferramentas mais adequadas, e os meios mais específicos, tendo em conta a sua realidade local.

De acordo com o programa nacional, pretende-se propor localmente que cada um ajuste a sua ação, utilizando as ferramentas mais adequadas, e os meios mais específicos, tendo em conta a sua realidade local. Acrescenta Kamal Mansinho que não só os municípios estão envolvidos e que se espera que “todas as entidades contribuam com a especificidade dos conhecimentos das suas áreas”.

Uma delas é a Abraço, que funciona como ponte entre as várias entidades, as câmaras e as pessoas. Neste momento lideram o projeto no Porto e participam no de Lisboa. “Estamos a falar da primeira vez que as autarquias assumem um papel na área da infeção pelo VIH. Apesar de já existirem projetos que eles financiam, ou cofinanciam, nunca tiveram este papel preponderante: serem eles também fator de mobilização”, comenta Gonçalo Lobo, presidente da Abraço, que esteve presente na mesa da conferência.

“Estamos a falar da primeira vez que as autarquias assumem um papel na área da infeção pelo VIH. Apesar de já existirem projetos que eles financiam, ou cofinanciam, nunca tiveram este papel preponderante: serem eles também fator de mobilização”

Diz o presidente da instituição que numa fase primaria, é preciso perceber quais são as carências do município, “se é em termos de diagnóstico, em termos de ligação aos cuidados de saúde ou se é em termos de acesso ao tratamento”. Depois, de acordo com este diagnóstico, têm que ser criados projetos – pela mão das câmaras ou de outras instituições locais – que venham suprir essas necessidades. Para além disso, “associada à proximidade tem que existir também um financiamento para estes projetos, por parte das autarquias”.

Cascais é o município que está mais avançado e já adoptou várias medidas: já há protocolos com o hospital de Cascais e com a Escola Nacional de Saúde Pública. O projeto é uma iniciativa conjunta da ONUSIDA, da ONU-Habitat, do International Association of Providers of AIDS Care (IAPAC) e da Câmara de Paris, e tem como objetivo principal acelerar a resposta ao VIH/Sida nas grandes cidades.


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