Inovação genómica contra o cancro

O Raio-X partilha um artigo de opinião de Adriana Terrádez, diretora geral da OncoDNA para Espanha e Portugal, que aborda um novo passo no tratamento do cancro, que confere melhores perspetivas a quem sofre desta doença diversa e complexa e facilita a tomada de decisão por parte de quem a trata no dia-a-dia.

A abordagem ao doente com cancro geralmente não é fácil, pois antes de ser diagnosticado este embarca num

caminho cheio de portas, no qual terá que visitar uma infinidade de especialistas que se encarregarão de monitorizar e tratar a sua doença. Felizmente, as novas tecnologias de base genética aliviaram um pouco essa carga, graças ao uso de biomarcadores e à eficiência da análise genómica, entre outras ferramentas inovadoras, que fornecem informações mais completas sobre cada tumor sem a necessidade de aumentar as consultas médicas do doente.

É uma disciplina ampla enquadrada no campo da medicina personalizada, que ajuda, principalmente, oncologistas e profissionais de anatomia patológica a obter mais informações de uma amostra. E, dessa forma, um diagnóstico e acompanhamento muito mais precisos para o doente, o que, por sua vez, se refletirá na prescrição dos tratamentos mais adequados para cada caso.

Graças ao trabalho de I+D+I de uma multiplicidade de empresas em todo o mundo, como é o caso da OncoDNA, podemos encontrar no mercado painéis de mais de 600 genes que já estão a ser utilizados na prática clínica de rotina e que abrangem todos os genes com relevância biológica e terapêutica, bem como assinaturas moleculares chave para o tratamento do cancro.

Muitos desses exames são realizados com amostras de tecido extraídas no protocolo de biópsia que é realizado quando há suspeita de doença oncológica. Nas situações em que a biópsia se torna um exame invasivo e desconfortável para o doente, seja pela fragilidade da pessoa, pelo tumor estar numa área inacessível, ou simplesmente porque a amostra de tecido extraída há algum tempo se deteriorou, existe uma solução, e é a biópsia líquida. Este tipo de biópsia é realizado extraindo e analisando uma amostra de sangue do doente, que contém ADN tumoral circulante. É um tipo de análise eficaz que ajuda a tomar decisões de forma ágil e a determinar um tratamento muito mais preciso e adaptado às características da pessoa. Também eliminar da equação aquelas terapêuticas que não serão eficazes, de modo que se evite toxicidade desnecessária para o doente, bem como o custo de saúde relacionado.

A nível global, e já aplicado na prática clínica de rotina, podem ser encontrados exemplos como o OncoSELECT, um teste genómico capaz de analisar 58 genes e biomarcadores com relevância clínica em todos os tipos de tumores sólidos com apenas uma amostra de sangue. Casos como este tornaram-se uma alternativa altamente valorizada para os profissionais dedicados à oncologia, pois permitem a identificação rápida e minimamente invasiva da evolução do tumor e do desenvolvimento de resistência ao tratamento.

Desta forma, a vida do doente fica um pouco mais fácil, os níveis de humanização na consulta melhoram e, em alguns casos, economiza-se custos significativos em terapias que não vão trazer benefícios. Não nos podemos esquecer de que a extração de uma nova amostra de tecido é uma operação delicada que pode trazer alguns riscos para a pessoa, como infeções ou complicações devido à localização do tumor. Ao mesmo tempo, a realização desse tipo de análise genómica aumenta as hipóteses de os doentes acederem a ensaios clínicos adequados à sua situação específica, fornecendo muito mais dados sobre as características de um tumor.

Em suma, estamos a falar de um novo passo no tratamento de uma doença diversa e complexa, que dá melhores perspetivas a quem dela sofre e facilita a tomada de decisão por parte de quem a trata no dia-a-dia.


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