Intolerância ao calor pode estar relacionado com algum problema na tiroide

Entre  5 a 10% dos portugueses, especialmente mulheres, sofrem de alguma forma de doença da tiróide. Marta Ferreira, endocrinologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e representante da Associação das Doenças da Tiroide (ADTI), partilhou com o Raio-X um artigo em que reflete sobre estas patologias.  A ADTI pretende alertar e consciencializar a população que a intolerância ao calor pode estar relacionado com algum problema na tiroide, como é o caso do hipertiroidismo.  

“A tiroide é uma pequena glândula localizada na parte inferior da face anterior do pescoço e tem a forma de uma borboleta. É a maior glândula endócrina do organismo e pesa cerca de 15 a 25g. Produz hormonas, designadamente T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina), que são libertadas na corrente sanguínea, alcançando deste modo todos os órgãos do corpo e exercendo deste modo as suas funções. Estas são várias, nomeadamente o controlo da temperatura corporal, adaptando-nos ao meio ambiente, o raciocínio e a memória, a função cardíaca e respiratória, entre outras. Assim, quando a tiróide não se encontra a funcionar normalmente, havendo défice ou excesso de hormonas tiroideias (hipo e hipertiroidismo respectivamente), todos os órgãos vêem comprometidas as suas funções.

Estima-se que cerca de 5 a 10% dos portugueses tenham alguma forma de doença da tiróide, sendo mais frequente nas mulheres. Quando falamos das doenças que afectam a produção hormonal por parte da tiróide, o hipotiroidismo é a forma mais comum – de facto, este é 10 vezes mais frequente que o hipertiroidismo.

O hipertiroidismo caracteriza-se por uma produção excessiva de hormonas por parte da tiróide, que assim surgem aumentadas na circulação sanguínea. Pode ter várias causas, sendo a mais frequente a auto-imune (bócio tóxico difuso ou doença de Graves), situação em que a produção excessiva de hormonas se deve à presença no sangue de anticorpos estimuladores da tiróide.

O excesso de hormonas tiroideias em circulação origina vários sintomas (ansiedade, irritabilidade, cansaço, tremores, palpitações, sudação excessiva, emagrecimento com aumento do apetite), que traduzem um metabolismo acelerado ou um trabalho excessivo de vários órgãos que estão a ser estimulados acima dos níveis normais. Isto aumenta a libertação de calor e causa uma desregulação do termostato do corpo humano (hipotálamo), que coloca a temperatura corporal num nível superior e por isso a pele fica quente, avermelhada e suada. Por este motivo, as pessoas com hipertiroidismo sentem-se mal em ambientes quentes (intolerância ao calor) ou quando expostos directamente ao sol, como acontece na praia.

As pessoas com hipertiroidismo devem assim evitar ambientes quentes e fechados, a exposição directa ao sol e devem beber bastante água, privilegiando locais frescos e sombrios. Por outro lado, se uma pessoa se tornar mais sensível ao calor em relação ao seu habitual, e se surgirem outros sintomas como os enumerados acima, deve colocar-se a hipótese de um hipertiroidismo.

Se a causa de hipertiroidismo for a auto-imune, podem surgir sintomas oculares ao mesmo tempo: lacrimejo, conjuntivite, alteração da visão, sensação de olho seco (sensação de “areias nos olhos” ou picadas), edema das pálpebras e noção de aumento de tamanho dos olhos, que podem parecer mais saídos das órbitas. Neste caso, a exposição solar é particularmente perigosa, porque o olho está mais sensível – para além da hidratação abundante e do uso de gotas oftálmicas lubrificantes é fundamental o uso de óculos de sol com lentes escuras.

O hipertiroidismo é uma patologia potencialmente grave, que exige um tratamento cuidado e complexo, sendo por isso essencial a sua orientação por um Médico Especialista.”

 


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