O que saber para melhor diagnosticar e tratar os doentes com urticária?

A urticária é uma doença  incapacitante que afeta entre 15% a 25% da população a nível mundial. Célia Costa,  coordenadora da Unidade de Urticária do Serviço de Imunoalergologia do Hospital de Santa Maria, partilha com o Raio-X um artigo sobre esta patologia que tem um elevado impacto na qualidade de vida.

A Urticária é uma síndrome heterogénea com uma grande variedade de causas, desencadeadas por uma diversidade de fatores, com uma apresentação clínica variável, que se caracteriza pelo aparecimento de lesões cutâneas máculo-papulares associadas ou não a angioedema, ou angioedema isolado1-4. Esta patologia é frequente pois afeta entre 15%-25% da população a nível mundial, pelo menos uma vez na vida, podendo surgir em qualquer idade1-4. No entanto, quando falamos de complexidade, diferentes fenótipos e provavelmente múltiplos endótipos, impacto na qualidade de vida (QoL), elevados custos de saúde, abordagem diagnóstica e terapêutica desafiante, estamos a referir-nos à urticária crónica (UC) 1-9. O diagnóstico é clínico, através das características das lesões cutâneas, que é necessário saber identificar e quando persistem por mais de 6 semanas, define-se como UC1-4. Esta subdivide-se em espontânea (UCE) ou indutível (UCInd), consoante os sintomas ocorram espontaneamente ou em resposta a estímulos específicos (frio, calor, pressão, etc.). Embora 2/3 dos casos sejam UCE, na maioria dos doentes coexistem mais do que um tipo de UC1-4. A fisiopatologia da UCE é complexa, multifatorial e vários mecanismos têm vindo a ser descritos1-4. Mecanismos autoimunes, mediados por autoanticorpos IgE ou IgG, estão provavelmente presentes em até cerca de 50% dos doentes. A UCE não controlada condiciona uma diminuição significativa da qualidade de vida (QoL), devido aos seus sintomas potencialmente incapacitantes que podem persistir por vários anos e afetar aspetos da vida diária a nível físico, emocional, social e económico, demonstrado em estudos de vida real6-9. A atividade/gravidade da urticária/resposta à terapêutica, seu controlo e impacto na QoL devem ser documentados na prática clínica diária, através de questionários validados – Patient Reported Outcomes (PRO) 1-4. O objetivo do tratamento da urticária é alcançar o controlo total e rápido dos sintomas com recurso a fármacos eficazes e seguros, numa escalada terapêutica progressiva de acordo com as recomendações nacionais1 (Grupo Português de Estudos de Urticária-GPEU) e europeias2 (EAACI/GA²LEN/EDF/WAO). O controlo destes doentes requer o seu seguimento em Centros de excelência. O melhor conhecimento da urticária permite a identificação de biomarcadores, assim como a investigação de terapêuticas mais adequadas ao mecanismo subjacente.2 (IRCSU/044/092021)

 

Referências bibliográficas:

  1. Costa C, Gonçalo M, em nome do GPEU – Grupo Português de Estudos de Urticária. Diagnostic and Therapeutic Approach of Chronic Spontaneous Urticaria: Recommendations in Portugal. Acta Med Port 2016 Nov;29(11):763-781.
  2. Zuberbier T, Abdul Latiff AH, Abuzakouk M, Aquilina S, Asero R, Baker D, et al. The International EAACI/GA²LEN/EuroGuiDerm/APAAACI Guideline for the Definition, Classification, Diagnosis and Management of Urticaria. Allergy 2021 Sep 18. doi: 10.1111/all.15090.Online ahead of print.
  3. Costa C, Campina S, Andrade P, Filipe P, Guilherme A, Gonçalo M. Urticária Crónica – Do Diagnóstico ao Tratamento. Revista SPDV 2016; 74(4): 315-324.
  4. Costa C, Pinto PL, Apetato M, Andrade P, Guilherme A, Gouveia MP, Travassos AR, Gonçalo M. Doente com urticária crónica: diagnosticar e tratar melhor. Posgraduate Medicine 2016; 45 (1): 47-54.
  5. Carrasco J, Costa C, Gonçalo M, Guilherme M, Rodrigues Martins A. Qual é o impacto económico da Urticária Crónica Espontânea Grave em Portugal? A perspetiva do Serviço Nacional de Saúde e da Sociedade Portuguesa. Rev Port Imunoalergologia 2015; XXIII (Supl): 56 (PO29).
  6. Costa C, Rosmaninho I, Guilherme A, Ferreira J, Antunes J, Pina A, Prates S, Marques JG, Azevedo F, Cunha AP, Brito C, Massa A, Sousa JT, Velho GC, Raposo I, Pinto GM, Sousa V, Martins AR. Chronic Urticaria in the Real-Life clinical practice setting in Portugal: Baseline results from the non-intervencional multicare AWARE study. Acta Med Port 2019 Feb 28; 32(2):133-140.
  7. Maurer M, Houghton K, Costa C, Dabove F, Ensina LF, Giménez-Arnau A, et al. Differences in chronic spontaneous urticaria between Europe and Central/South America: results of the multi-center real world AWARE study. World Allergy Organ J 2018 Nov 16;11(1):32
  8. Maurer M, Costa C, Gimenez Arnau A, et al. Antihistamine-resistant chronic spontaneous urticaria remains undertreated: 2-year data from the AWARE study. Clin Exp Allergy 2020; 50:1166–1175.
  9. Costa C, Rosmaninho I, on behalf of the AWARE Portuguese Study Investigational Group. Chronic Urticaria in the Real-life Clinical Practice Setting in Portugal: Two-Year Results from the Non-Interventional Multicenter AWARE Study. Acta Med Port 2021; Jun 9. doi: 10.20344/amp.14477. Online ahead of print.

MORADA:

Rua Hermínia Silva nº 8 LJ A, Jardim da Amoreira
2620-535 Ramada

geral@raiox.pt