Psoríase: o exemplo da investigação ao serviço da Medicina

O Dia Mundial da Psoríase assinala-se no dia 29 de outubro. A este propósito, Fernando Mota, dermatologista no Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, partilha com o Raio-X um artigo sobre esta patologia.

A psoríase é uma doença inflamatória crónica de pele, que atinge cerca de 2-3% da população. É uma doença com um impacto importante na qualidade de vida dos doentes que atinge, sobretudo com formas moderadas a graves da doença. Ficou (e mantém-se) conhecida por muitos doentes como a “doença dos 3 N’s” – não mata; não é contagiosa; não tem cura. E se estas premissas se mantêm verdadeiras nos dias de hoje, não é menos verdade que, nas últimas duas décadas, assistimos a um desenvolvimento, diria que, quase sem par de novas terapêuticas para esta patologia, alicerçado na investigação científica por parte dos médicos e da industria farmacêutica, que permitiu compreender melhor as alterações imunológicas que levam ao aparecimento da doença.

Temos, hoje em dia, ao nosso dispor, uma panóplia de opções muito eficazes e seguras, repito, seguras, que nos permitem tratar e controlar casos de psoríase gravíssimos, com atingimento de grandes áreas corporais, a que antigamente apenas se podiam oferecer pomadas ou banhos de alcatrão. É verdade que já existiam tratamentos, mas não eram tão eficazes, e sobretudo não eram tão seguros como os que dispomos atualmente.

Uma vez que a psoríase é uma doença crónica, para a qual ainda não temos cura, a segurança (aliada à eficácia) assume um papel fulcral na hora de escolher um tratamento que possa controlar a doença a longo prazo, sem riscos importantes para os doentes. E é aí que surgem as novas terapêuticas, denominadas “biológicas” ou “biotecnológicas”, que de facto revolucionaram o tratamento dos doentes com psoríase. A investigação médica permitiu descobrir e compreender os fenómenos imunológicos e genéticos que levam ao aparecimento de psoríase, bem como determinar com clareza os processos inflamatórios que estão alterados nestes doentes.

Essas descobertas levaram ao desenvolvimento de medicamentos que atuam de forma muito específica de maneira a corrigir as alterações imunológicas existentes, preservando a imunidade geral dos doentes, permitindo que estes continuem a ter “defesas” contra infeções, neoplasias, etc. São por isso considerados fármacos “imunomoduladores” e não “imunossupressores”. Nos tempos atuais de pandemia em que vivemos, torna-se ainda mais importante esta distinção, pois a psoríase é uma patologia com elevado impacto, que deve ser tratada, e para a qual felizmente dispomos de armas muito eficazes e seguras que não coloquem em risco os doentes.

São, por isso, tempos de esperança para estes doentes, hoje mais do que nunca, e é fulcral que os doentes com psoríase saibam que temos tratamentos para os ajudar, seja a controlar a doença, seja a melhorar a sua qualidade de vida, e que é por isso importante que estejam otimistas e procurem aconselhamento de um dermatologista para o tratamento da sua doença.


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