“Salvar Mais Vidas” o movimento que pretende combater a morte súbita cardíaca em Portugal

A caminhada do Movimento “Salvar Mais Vidas” começou há dois anos com o falecimento do ator José Boavida, vítima de paragem cardiorrespiratória em via pública. Gabriel Boavida, irmão do ator, criou este movimento que define por “um grupo de cidadãos que se uniu para alertar e mobilizar a sociedade civil, bem como participar no combate à morte súbita cardíaca em Portugal”. 

O Movimento “Salvar Mais Vidas” foi fundado por Gabriel Boavida há cerca de dois meses “após uma tragédia pessoal, que aconteceu há dois anos, com um familiar que foi vítima de uma Paragem Cardiorrespiratória na via pública a 1800m do Hospital Amadora Sintra” explica Gabriel Boavida, irmão da vítima. Após fazer a reconstituição do sucedido, Gabriel afirma ter verificado “que os jovens cidadãos que deram com a vítima não souberam fazer o Suporte Básico de Vida e nem tão pouco souberam como ligar para o 112” para além disto “identifiquei também a inexistência ilegal de uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) no referido Hospital”.

Com o apoio e a colaboração da Câmara de Sinta, representada pelo presidente Basílio Horta, Gabriel iniciou um processo de construção daquilo que faltava, conseguiu que a VMER no Hospital Amadora Sinta fosse uma realidade, sendo hoje “a VMER com mais saídas do País” e conseguiu também que fosse dado início a “um plano municipal de combate à morte súbita com instalação de desfibrilhadores nas instalações municipais e nas 30 escolas de segundo, terceiro ciclo e secundárias do município com os respetivos 180 operadores”. A par disto foi assinado “um protocolo de ensino de suporte básico de vida denominado “Projeto 3C’s” nas escolas com mais de 1500 jovens formados”. Gabriel considera que conseguiu “uma onda de mudança que começou em Sintra e que queremos, agora com este recém-criado movimento, alargar a todo o País”.

Daí surgiu a ideia de criar o movimento cívico, congregando pessoas com a mesma vontade de mudança. O movimento tem como objetivo claro “alterar a taxa de sobrevivência à paragem cardiorrespiratória de 3% para 30% até 2030”. E concomitantemente têm em vista inúmeras propostas, tais como “tornar o ensino do Suporte Básico de Vida e da Desfibrilhação Automática Externa obrigatório”. A obrigatoriedade deste ensino deve ser estendida a determinadas “profissões chave”, como profissionais de saúde, professores de educação física, seguranças, bombeiros, ‘personal trainers’, vigilantes. “Pretendemos inserir mais programadas de Desfibrilhação Automática Externa para que haja uma maior sensibilização da população”, elucidou.

Para além da Câmara Municipal de Sintra, este projeto conta ainda com um vasto leque de parceiros que pretendem a evolução, bem como o sucesso deste movimento. Exemplo disso, no que toca a meios hospitalares, os parceiros são “a Cruz Vermelha Portuguesa bem como o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, a  Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, o Hospital Fernando da Fonseca, a Unidade de Saúde Local da Guarda” a nível do ensino estão agregadas a este movimento “a Escola de Reanimação do Hospital Fernando da Fonseca, Escola Superior de Educação Infantil Maria Ulrich, a Associação de Estudantes do ISE e a Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico”. Por outro lado, também os profissionais de saúde se juntaram a esta iniciativa “contamos com o apoio de Francisco George, Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, de Fausto Pinto, Diretor da Faculdade de Medicina de Lisboa, de Luís Baquero, Diretor do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, de Paulo Freitas, Diretor da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Amadora Sintra, de Nuno Bettencourt, Cardiologista, de Serralva, especialista em Emergência com mais horas de VMER e Helicóptero do País, de Francisco Roxo, administrador do Hospital Fernando da Fonseca e ainda de Pedro Nunes, Diretor da Escola de Reanimação do Hospital Fernando da Fonseca”. Este movimento conta ainda com o apoio de vários nomes da ficção Portuguesa como “Jorge Mourato, Diogo Infante, Susana Tavares, Rita Salema, Heitor Lourenço, Cláudio Henriques, Noémia Costa, Luísa Ortigoso, Joaquim de Oliveira e Gonçalo Dinis” e apresentadores como “Nilton, Pedro Fernandes, Vanessa Oliveira, Tânia Ribas de Oliveira, Vanessa Oliveira, Manuel Luís Goucha, Sofia Cerveira e José Pedro Vasconcelos”. Mas… não fica por aqui… nomes da música Portuguesa como Fernando Pereira, Rui Veloso, Maria João e Tomás Adrião também constam da lista de parceiros deste projeto, tal como nomes ligados à área do desporto como “Fernando Mamede e Rui Silva, entre outros”.

Com dois anos de existência, “a evolução tem sido fantástica a nível dos apoios institucionais, de figuras públicas, da população em geral. Até por parte da tutela com o seu reconhecimento a este movimento, tornando-o parte integrante e participativa de grupo de trabalho para a reestruturação do Plano Nacional de Desfibrilhação”, considera Gabriel Boavida. Contudo, esta evolução positiva e gradual não é sinonimo de surpresa porque “os portugueses já deram provas que na adversidade nos unimos e somos capazes de grandes feitos. E perante um flagelo como este vamos todos participar em conjunto e tenho a certeza que chegaremos a uma taxa de sobrevivência que nos honrará enquanto portugueses”, conclui.

Por Rita Rodrigues


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