Dia Mundial da Obesidade: SPEO alerta para a necessidade de acabar com o estigma da obesidade e para a urgência de tratar a obesidade nas primeiras fases da doença

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Assinala-se hoje, dia 11 de outubro, o Dia Mundial da Obesidade. Em Portugal, estima-se que mais de metade da população tenha obesidade ou pré-obesidade. Neste dia, a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) alerta para a necessidade de acabar com o estigma em relação a esta doença e para a urgência de a tratar desde as suas primeiras fases, possibilitando-se o acesso à terapêutica farmacológica, que até hoje não é comparticipada em Portugal.

“A obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial que ultrapassa as escolhas individuais. A ideia estigmatizante de que a pessoa com obesidade é responsável pela sua condição, por ser “preguiçosa” ou não ter autocontrolo, retira o profissional de saúde da equação da eficácia do tratamento, responsabilizando unicamente a pessoa pelo sucesso do mesmo. Isto só contribui para o aumento dos níveis de obesidade e para o atraso e insucesso do tratamento. Devemos lutar para que todos os profissionais de saúde tenham acesso a formação especializada em tratamentos eficazes, para que adotem um discurso não estigmatizante e para que todos os indivíduos com sobrepeso tenham acessibilidade plena ao tratamento integral da obesidade. Já se tem feito bastante para melhorar o acesso às cirurgias bariátricas, indicadas na obesidade mórbida, mas é preciso tratar a obesidade desde a fase inicial. Para que isto aconteça, é urgente que terapêutica farmacológica seja comparticipada e, assim, acessível a todos. É preciso acabar com o estigma da obesidade e promover o acesso ao todos os tratamentos desta doença”, destaca Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO).

A obesidade está associada a um decréscimo da esperança média de vida e da qualidade da mesma, estando também associada a problemas de saúde como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, outras doenças metabólicas, respiratórias, cardiovasculares, ósseas e vários tipos de cancros.

“A responsabilidade da obesidade deve ser partilhada pela sociedade e é necessário um apoio positivo e uma narrativa de responsabilidade de todos os profissionais de saúde e da sociedade em geral de modo a aumentar a eficácia dos cuidados de saúde das pessoas com excesso de peso e obesidade. Prevenir e tratar a obesidade significa ter uma sociedade mais saudável e com uma vida mais longa. Significa ainda menos custos para os sistemas de saúde – estima-se que os custos direta e indiretamente associados à obesidade estão na ordem dos 300 mil euros por ano em Portugal [1], sendo que a nível europeu, o peso da obesidade pode ultrapassar 10 mil milhões de euros em custos de saúde[2]. É preciso mostrar às entidades de saúde competentes e aos políticos o impacto económico da obesidade, quer os custos diretos quer indiretos, que a curto e a longo prazo são maiores do que disponibilizar tratamentos adequados mais precocemente e antes que as múltiplas complicações associadas à obesidade se instalem.” acrescenta a representante da SPEO.

O aumento global da prevalência da obesidade é um problema de saúde pública com grandes custos para os sistemas de saúde. Estima-se que mais de 20% da população mundial será obesa em 2025 se não forem adotadas medidas que travem esta evolução.

Segundo o último estudo português, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), estima-se que, em Portugal, mais de metade da população – mais de 6 milhões de pessoas – tenha obesidade ou pré-obesidade.

“Uma vez que está comprovado, por vários estudos de relevo, a perda de peso, mesmo que na ordem dos 5% a 10%, pode trazer benefícios para a saúde, reduzindo o risco de diabetes tipo 2 e de doenças cardiovasculares, melhorando a pressão arterial e reduzindo a gravidade de apneia do sono, tratar farmacologicamente, através de inibidores de apetite, a obesidade desde as fases iniciais, é promover a curto e longo prazo a saúde geral dos individuais”, conclui Paula Freitas.

[1] https://run.unl.pt/handle/10362/14873

[2] https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18509729

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