Portugal está entre os países da OCDE com menor mortalidade por asma e DPOC

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Foram apresentados, no passado dia 20 de setembro, no Centro Hospitalar e Universitário do Algarve, os resultados do Relatório do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias que evidenciam uma redução da mortalidade prematura associada às doenças respiratórias, uma redução dos internamentos por asma e DPOC, mas uma mortalidade ainda significativa por pneumonias. “Resultados muito positivos”, segundo Fernando Araújo, “mas que ainda podem ser alvo de melhoria”. Na perspetiva do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, é preciso apostar mais na prevenção e no diagnóstico precoce e tentar compreender melhor por que motivo as pneumonias são a principal causa respiratória de morte, sobretudo em idosos.

“O peso da mortalidade por doenças respiratórias tem vindo progressivamente a aumentar, representando a terceira principal causa de morte no nosso país, logo depois das doenças cardiovasculares e do cancro. Em 2015, 12% da mortalidade total era atribuída a causas respiratórias”, lembrou Cristina Bárbara na apresentação dos resultados do Relatório do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias.

“O peso da mortalidade por doenças respiratórias tem vindo progressivamente a aumentar, representando a terceira principal causa de morte no nosso país, logo depois das doenças cardiovasculares e do cancro. Em 2015, 12% da mortalidade total era atribuída a causas respiratórias”

De acordo com a pneumologista, coordenadora deste Programa, tem vindo a verificar-se uma alteração dos padrões epidemiológicos destas doenças, sobretudo no que respeita ao género. “As doenças respiratórias eram tradicionalmente mais predominantes nos homens, contudo, verifica-se um aumento deste tipo de patologias na população feminina”. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2015 houve um aumento da mortalidade por doença respiratória nas mulheres”, o que pode dever-se a modificações dos hábitos tabágicos e também ao facto de as mulheres terem uma esperança de vida superior à dos homens.

Um dos principais indicadores deste relatório de 2017 é a redução da mortalidade por patologia respiratória em indivíduos com menos de 65 anos (excluindo os casos de cancro do pulmão ou tuberculose). Por outras palavras, “o aumento do número absoluto de mortes está essencialmente concentrado em idades acima dos 65 anos”.

Um “dado muito positivo”, como salientou Fernando Araújo, é o facto de Portugal integrar o conjunto de países da OCDE com menor mortalidade por asma e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). A mortalidade padronizada ocorre, sobretudo, nas faixas etárias acima dos 65 anos com valores que em 2015 eram de 4 por 100 000 habitantes, sendo a taxa de mortalidade padronizada abaixo dos 65 anos de 0,1 por cada 100 000 habitantes.

Para Francisco George, “este é um sinal muito positivo que resulta do esforço de vários anos em tentar manter controlados os doentes que sofrem destas doenças”. O Diretor Geral da Saúde sublinhou ainda a necessidade de reduzir o impacto do tabagismo passivo, principalmente nas crianças. “Já demos um grande passo no sentido de minimizar a exposição ao fumo do tabaco pois, graças às várias revisões da legislação, é hoje possível que uma criança frequente um café ou um restaurante sem ter de inalar o fumo do tabaco dos outros”.

Relativamente aos internamentos, Portugal é o país da OCDE com menos internamentos por asma ou DPOC, o que, na perspetiva do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde reflete “a qualidade dos nossos Cuidados de Saúde Primários”. Segundo Fernando Araújo, a redução dos internamentos representa uma melhoria da sobrevida dos doentes, da sua qualidade de vida, mas também uma redução dos custos para o Serviço Nacional de Saúde.

Pneumonias continuam a ser principal causa de morte respiratória

À semelhança dos Relatórios de anos anteriores, e contrariando a tendência que coloca as doenças crónicas como principal causa de morte global, as pneumonias são, em Portugal, a principal causa de mortalidade por doença respiratória.

Ainda assim, verificou-se uma redução de 23% desde 2009, da morte por pneumonias em pessoas com menos de 65 anos. Segundo Cristina Bárbara, as pneumonias são causa de morte, sobretudo na população mais idosa, em que a existência de várias comorbilidades facilita o desenvolvimento de formas mais graves deste tipo de complicações.

Para tentar explicar este fenómeno nacional, que foge aos padrões europeus, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia foi, no ano passado, desafiada pelo Ministério da Saúde a investigar o perfil dos doentes que morrem por pneumonia. Os resultados desse trabalho foram agora apresentados por Venceslau Hespanhol que, no âmbito desta sessão, apontou alguns fatores que potenciam o risco de pneumonia, mas não deixou de valorizar algum viés que resulta da incorreta codificação dos óbitos. “Muitas vezes, a causa da morte é atribuída à pneumonia, quando, na realidade, os doentes tinham patologias de base mais graves que originaram a pneumonia”, explicou. Apesar de reconhecer a importância deste potencial fator de enviesamento dos resultados, o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia defende que é preciso intervir na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento atempado das pneumonias, sobretudo na população mais frágil: os idosos.

“Muitas vezes, a causa da morte é atribuída à pneumonia, quando, na realidade, os doentes tinham patologias de base mais graves que originaram a pneumonia”, explicou. Apesar de reconhecer a importância deste potencial fator de enviesamento dos resultados, o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia defende que é preciso intervir na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento atempado das pneumonias, sobretudo na população mais frágil: os idosos.

A mesma posição foi partilhada por Fernando Araújo que afirmou que, “com base nos estudos conduzidos na SPP, contamos identificar e corrigir as causas associadas às pneumonias”. Para o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, “é preciso optar pelo caminho da prevenção e do diagnóstico precoce, para que estas complicações agudas não se agravem a ponto de causar a morte”.

Programa piloto leva espirometria a todos os ACES do Alentejo e Algarve

Desde há muito que é conhecida a vontade, por parte do Ministério da Saúde, de levar a espirometria a todas as Unidades de Cuidados de Saúde Primários do País, tendo em conta que o diagnóstico mais precoce de doenças obstrutivas, como a DPOC, é fundamental para a implementação de tratamento no sentido de retardar a progressão da doença e de reduzir as complicações a ela associadas.

A par da avaliação clínica e das queixas dos doentes, a espirometria é o exame que confirma o diagnóstico de doença crónica, permitindo ainda determinar o estádio de gravidade, fornecendo ao clínico, dados essenciais para a decisão terapêutica.

Em outubro de 2016 arrancou, na Administração Regional do Alentejo (ARS), um programa piloto que chegou também à ARS do Algarve em dezembro do mesmo ano, cujo objetivo seria facilitar o acesso à espirometria no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários.

Os resultados apresentados revelam que, em 2017, foram realizadas mais 712 espirometrias na ARS do Alentejo e mais 3168 na ARS do Algarve, o que se traduziu num aumento do número de doentes identificados e de diagnósticos confirmados.

Face ao sucesso deste programa de espirometria, está já prevista a criação de um programa de reabilitação respiratória que é uma área que, em todo o território nacional, continua a apresentar algumas limitações, nomeadamente de acessibilidade dos doentes.

Segundo Fernando Araújo, “este programa permitiu-nos compreender que ao facilitarmos a acessibilidade a estes meios de diagnostico, conseguimos identificar mais doentes e em estádios mais precoces das doenças respiratórias obstrutivas”

Segundo Fernando Araújo, “este programa permitiu-nos compreender que ao facilitarmos a acessibilidade a estes meios de diagnostico, conseguimos identificar mais doentes e em estádios mais precoces das doenças respiratórias obstrutivas”.

O Algarve era das zonas do país que tinha menos diagnósticos de DPOC, daí que o programa piloto tivesse arrancado no Sul do país. Todavia, está previsto o seu alargamento a outras regiões.

Por Cátia Jorge

 

Assista aqui ao vídeo com as declarações de Fernando Araújo e Francisco George a propósito dos resultados do Relatório e do projeto-piloto que levou a espirometria aos CSP do Algarve e Alentejo:

 

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