“A anemia na doença inflamatória do intestino é uma preocupação”

A anemia é uma complicação frequente nos doentes com doença inflamatória do intestino (DII). Números certos capazes dos que vivem com ambos os problemas não há, mas Luís Correia, presidente do Grupo de Estudo da Doença Inflamatória Intestinal (GEEDI), não tem dúvidas sobre o impacto na DII daquele que é já considerado um problema de saúde pública – a anemia. “Na maioria dos casos, a percentagem de doentes com DII e anemia deve rondar os 20/30%. É um problema comum nesta patologia. É, de facto, uma preocupação para os especialistas.”

Os motivos para tal são vários. Mas são sobretudo a deficiência de ferro e o estado inflamatório os responsáveis pelos casos de anemia na DII. Um problema de saúde que, se já tem consequências para a saúde da população geral, mais ainda terá para quem vive com DII. “O estado de anemia, em si, agrava o prognóstico de todas as situações, exige o recurso a meios e tratamentos que têm riscos, nomeadamente as transfusões e aumenta ainda o recurso aos meios necessários para tratar os doentes, ou seja, a anemia faz aumentar a despesa”, explica Luís Correia. “Nos doentes com DII, contribui muito para o mal-estar geral e para a perda de qualidade de vida destes doentes.”

Os sintomas de anemia, nem sempre valorizados, como é o caso do cansaço, dificuldade de concentração ou alterações do sono, torna mais difícil a vida dos doentes com DII. E torna-se também, refere o especialista, “particularmente mais importante porque é tratável, o que não acontece com a maior parte dos parâmetros”.

O tratamento da deficiência de ferro faz-se, refere Luís Correia, “através do tratamento das causas que provocam esse défice e que, no doente com DII, é mais frequentemente a inflamação. É necessário controlar as doenças com recurso a medicamentos e a estratégias que são devidamente conhecidas pelas pessoas que se dedicam a esta área. Mas dado que a anemia e o défice de ferro são um problema independente, podem e devem ser tratados de forma independente”, conclui.

Luís Correia aproveita para reforçar que “nem sequer se deve esperar para que haja um estado de anemia para começar a tratar. Basta que haja uma ferropénia, um défice de ferro que, por si, já condiciona o estado de saúde e que é facilmente corrigível, melhorando muito a qualidade de vida dos doentes”.

Nos casos em que existe uma situação inflamatória ativa, o tratamento com ferro oral pode não ser uma opção, uma vez que a sua absorção é “muito má. Portanto a via oral não deve ser a eleita para a administração de ferro. Até porque a suplementação oral de ferro pode agravar a situação da doença inflamatória e os sintomas no trato gastrintestinal”. A solução pode passar pela “administração endovenosa de ferro”, mas aqui há que ter em atenção que “os défices de ferro devem ser calculados, e há formas muito simples de o fazer, em função da hemoglobina e do peso. A partir dos valores encontrados, é determinada a quantidade de ferro que deve ser administrada por via endovenosa”.


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