A sociedade e a luta contra a obesidade

Assinala-se, no próximo dia 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade. E, nesse sentido, partilhamos um artigo de opinião de Gil Faria, Cirurgião especialista em Cirurgia da Obesidade e Metabolismo, Coordenador dos Centros de Tratamento da Obesidade do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e do Grupo Trofa Saúde, Professor da FMUP e Investigador clínico na área da Cirurgia Metabólica e Obesidade, que aborda políticas cruciais com vista à redução desta epidemia global.

A batalha contra a obesidade é um desafio multifacetado que requer mudanças individuais de comportamento, mas também a implementação de políticas públicas eficazes, que promovam escolhas saudáveis e criem ambientes propícios ao bem-estar de todos. Enquanto celebramos o Dia Mundial da Obesidade é oportuno destacar algumas das políticas cruciais que podem desempenhar um papel significativo na redução desta epidemia global.

  1. Educação alimentar desde a infância: Investir em programas educacionais que ensinem crianças sobre nutrição adequada e alimentação saudável é um passo fundamental. Isso pode incluir a introdução de aulas de culinária saudável nas escolas, promoção de hortas escolares e educação sobre a importância de uma dieta equilibrada.
  2. Regulamentação da publicidade de alimentos: Restringir a publicidade de alimentos não saudáveis, especialmente aquela que é direcionada às crianças, pode ajudar a reduzir o consumo de produtos que contribuem para a obesidade. Isso pode incluir limitações aos anúncios de alimentos ricos em açúcar, gorduras saturadas e sódio em horários específicos na televisão e na internet, bem como em localizações próximas aos estabelecimentos de ensino.
  3. Taxação de bebidas açucaradas: A implementação de impostos sobre bebidas açucaradas tem-se mostrado eficaz em alguns países, reduzindo o consumo dessas bebidas prejudiciais à saúde. Em Portugal, os seus resultados são controversos, mas os recursos arrecadados podem ser direcionados para programas de promoção da saúde e prevenção e tratamento da obesidade.
  4. Acesso a alimentos saudáveis: Garantir que todos tenham acesso físico e financeiro a alimentos frescos e saudáveis é essencial. Isso pode ser alcançado através do incentivo à abertura de mercados de alimentos saudáveis em áreas carentes e da implementação de políticas de alívio fiscal para alimentos nutritivos.
  5. Incentivo à atividade física: Criar ambientes que incentivem a prática regular de exercícios é crucial na luta contra a obesidade. Isso pode incluir a construção de ciclovias, parques públicos bem equipados, incentivos para empresas que oferecem programas de bem-estar aos funcionários, o apoio ao desporto escolar e ainda a promoção global da atividade física como uma característica social desejável.
  6. Rotulagem nutricional clara e acessível: Garantir que os rótulos de alimentos sejam claros, informativos e de fácil compreensão pode ajudar os consumidores a fazer escolhas mais saudáveis. Isso inclui a inclusão de informações sobre calorias, teor de gordura, açúcar e sódio nos produtos alimentares. Algumas experiências com um sistema de codificação por cores (tipo semáforo), parece ajudar a que as pessoas possam optar por escolhas mais saudáveis.
  7. Apoio ao tratamento e prevenção: Políticas que tornem acessíveis programas de tratamento para a obesidade, como aconselhamento nutricional, suporte psicológico e tratamento médico, são essenciais.

A existência de fármacos para tratamento da obesidade é, atualmente, uma realidade e deve ser avaliado de forma objetiva o seu custo-eficácia, para permitir a sua comparticipação pelo estado, garantindo o acesso universal. O tratamento cirúrgico da obesidade é o tratamento mais eficaz conhecido e poderão ser reativadas linhas de financiamento especial que permitam às instituições de saúde aumentar a sua oferta do número de cirurgias que, no presente, só alcança <1% das pessoas elegíveis.

Por tudo isto, a comemoração do Dia Mundial da Obesidade é uma excelente altura para refletirmos sobre o caminho que queremos para a nossa sociedade e para a saúde dos portugueses. Se é certo que a pedra de toque para o controlo global da obesidade é a prevenção, é muito importante que não se descure a disponibilização dos tratamentos existentes para as pessoas que, diariamente, sofrem com esta doença. A obesidade é um problema da sociedade e só a sociedade, de uma forma global, pode ajudar a controlar esta que é uma epidemia global.

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