Associação Portuguesa para o Estudo da Dor alerta para mitos, desconhecimento e falta de formação

“Excelência da Educação em Dor” foi o tema escolhido pela Associação Internacional Para o Estudo da Dor (IASP) no ano de 2018. A Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), sua parceira, vai promover várias iniciativas com o objetivo de melhorar a formação dos profissionais de saúde, entidades governamentais e público em geral sobre o assunto. O Raio-X entrevistou Ana Pedro, presidente da APED, para perceber se o principal indicador de doença, a dor, continua a ser desvalorizado.

“Dentro do tema escolhido, que é a educação, há duas áreas que preocupam muito a IASP: a falta de conhecimento dos problemas de saúde em torno da dor e a falta de educação e formação em dor no currículo dos profissionais de saúde”. A APED afirma que existem vários mitos em torno da dor: “a pessoa que tem um cancro inevitavelmente tem dor ou que é normal e inevitável os idosos sentirem dor, por exemplo”, afirma Ana Pedro. Por outro lado, continua a existir a crença que só se pode tratar a dor através do tratamento da doença que lhe deu origem, que tratar a dor pode mascarar o diagnóstico ou que se a doença em si não tem tratamento, não há nada que possa ser feito.

Em relação aos profissionais de saúde, e tendo em conta que este é o sintoma que mais frequentemente leva o doente a procurar o médico e os cuidados de saúde, a associação considera que “todos os profissionais devem estar capacitados para o seu tratamento, pelo menos numa fase inicial e em situações pouco complexas”. A lacuna acontece porque “a formação médica pré-graduada aborda o tratamento da dor de uma forma dispersa ao longo do curso e em relação a outros profissionais a lacuna é ainda maior”.

Sem ainda conseguirem revelar todas as suas iniciativas dirigidas aos profissionais de saúde, a APED informa que vai realizar vários workshops, além do seu Congresso em outubro, este ano associado à Reunião Iberoamericana de Dor, que “será um momento privilegiado de partilha de experiências e conhecimento”. Já à população em geral querem sensibilizar para “o papel ativo que o doente deve desempenhar no seu tratamento e para os hábitos de vida preventivos, como seja o exercício físico ou o combate à obesidade”.

A primeira iniciativa pretende retratar Portugal sem dor, depois dos incêndios que assolaram o país e que causaram dor a muitos portugueses: a APED lançou, em janeiro, a 3ª edição do Concurso de Fotografia sob o mote Revelar Portugal Sem Dor.

 

O que é a dor crónica e que doentes lidam com ela mais frequentemente?

As doenças que mais estão envolvidas são as lombalgias (dor lombar) e as doenças osteoarticulares degenerativas, além das doenças oncológicas. “Em geral a população associa a dor crónica mais frequentemente à doença neoplásica, havendo um reconhecimento menor que muitas doenças a que podemos chamar benignas também são responsáveis por dor crónica incapacitante”, refere Ana Pedro.

 

“O sofrimento físico e emocional são indissociáveis”

“Mente e corpo são um só”, afirma a presidente da APED. “O sofrimento físico e emocional são indissociáveis, especialmente em dor crónica, como tal devem ser tratados de igual forma”. Inverter esta situação passa por sensibilizar para a necessidade de um tratamento multidisciplinar que ajude a desconstruir “o mito de que o tratamento da dor física é suficiente para que deixe de haver sofrimento quando muitas vezes verificamos que a dor emocional é a principal perpetuadora de uma dor física difícil de debelar”.

 

Por Margarida Queirós


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