Vacinómetro: “Da população que se vacinou, 7% fê-lo pela primeira vez”

Cerca de 64% da população com mais de 65 anos e cerca de 56% dos profissionais de saúde que contactam com doentes fizeram a vacina contra a gripe sazonal. Segundo Carlos Robalo Cordeiro, estes foram os resultados positivos da quarta avaliação do Vacinómetro referente a 2015-2016. Segundo o presidente-cessante da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, há que reforçar a mensagem no grupo de doentes crónicos, nos quais a taxa de vacinação “desceu significativamente”.

Com base numa amostra de 1500 pessoas dos quatro principais grupos de risco considerados pela Direção-Geral da Saúde como prioritários, o Vacinómetro monitoriza em tempo real, desde há sete anos, a cobertura vacinal contra o vírus da gripe.
A iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) tem como principais populações-alvo os indivíduos com mais de 65 anos, os indivíduos com idade entre os 60 e os 64 anos, os portadores de doenças crónicas e os profissionais de saúde que contactam com doentes.
No passado dia 1 de março foram divulgados os resultados da 4.ª avaliação da época 2015-2016, dos quais Carlos Robalo Cordeiro destaca dois dados “muito positivos”, um dado “muito interessante” e um aspeto “mais negativo”.
Dentro dos “dados positivos”, o presidente-cessante da SPP e pneumologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra aponta a consolidação da taxa de vacinação na população com mais de 65 anos. “A DGS recomenda que 60% deste grupo esteja vacinado e, nesta época conseguimos superar esse valor, alcançando uma cobertura vacinal de cerca de 64%”, afirmou. “É o segundo ano que obtemos este resultado, o que significa que começa a dar frutos toda a campanha de informação, assim como a melhoria da acessibilidade e a gratuitidade da vacina para este grupo de pessoas”, frisou o especialista.
Igualmente positivo foi o aumento da percentagem de profissionais de saúde vacinados. “Passámos de 52% para cerca de 56%”, ou seja, um aumento de quatro pontos percentuais em relação ao ano passado. “Para quem tem de dar o exemplo e passar uma mensagem, isso dá mais credibilidade”.

“A DGS recomenda que 60% deste grupo esteja vacinado e, nesta época conseguimos superar esse valor, alcançando uma cobertura vacinal de cerca de 64%”

Para Carlos Robalo Cordeiro, o dado mais interessante deste relatório é que “entre a população que se vacinou, 7% fê-lo pela primeira vez”. E “se todos os anos conseguirmos ganhos assim, obviamente que a cobertura vacinal será cada vez mais eficaz”.
Finalmente, a nota negativa é que a vacinação na população com doenças crónicas “desceu muito significativamente na nossa amostra”, lamenta Carlos Robalo Cordeiro, justificando que tal se deve, “provavelmente, a um enfoque maior na mensagem para a população com mais de 65 anos e terá ficado, talvez, mais esquecido o reforço da mensagem para esta população de doentes crónicos”.
Embora não haja números exatos, o pneumologista adianta que há uma relação muito clara entre o aumento da taxa de vacinação e a redução da incidência de gripe, nomeadamente das situações mais graves. “Este ano houve uma diminuição muito significativa da afluência de doentes aos cuidados de saúde por gripe. Os números mostraram uma diminuição de ida à urgência, de internamentos e de morbilidade relacionada com a gripe. Penso que isto terá, claramente a ver com um maior enfoque na vacinação, não só da gripe sazonal, mas também da vacina antipneumocócica”, rematou.

Cátia Jorge


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