Dia Internacional dos Ensaios Clínicos: investimento, infraestruturas e investigadores

No passado sábado celebrou-se o Dia Internacional dos Ensaios Clínicos. Em Lisboa, nas instalações do Infarmed, a efeméride foi assinalada por uma conferência no dia anterior que tinha como tema “Apoio aos ensaios clínicos: financiamento, infraestruturas e perspetiva do investigador”.  A conferência foi organizada pela PtCRIN (Rede Portuguesa de Infraestruturas de Investigação Clínica, pelo Infarmed (Autoridade Nacional de Medicamentos e Produtos de Saúde, IP) e pela Academia CUF.

Na conferência foram discutidos dois grandes temas, o investimento e as infraestruturas dos ensaios clínicos. Para o final, mas não menos importante, foi ouvida a perspetiva dos investigadores. Sobre esta, conversámos com Sofia Braga, médica oncologista, que falou das novas pipelines em ensaios clínicos oncológicos que o Instituto CUF Oncologia está a desenvolver neste momento: “temos duas áreas fortes, ou seja, entre cinco a dez ensaios: o cancro do pulmão, com a professora Bárbara Parente, no hospital CUF Porto, e o cancro da mama, no hospital CUF Infante Santo e CUF Descobertas”.

A médica oncologista desmistificou a ideia de que só os hospitais públicos fazem investigação clínica: “apesar de existirem mais centros públicos do que privados, quase todos os centros de Oncologia privados fazem ensaios clínicos, e há muitos centros públicos que não o fazem”. Na CUF, esta complementaridade entre a atividade assistencial e a atividade investigacional “é sem dúvida fantástica, já que os médicos podem propor ensaios clínicos aos doentes, e isso é propor-lhes inovação”.


A médica oncologista desmistificou a ideia de que só os hospitais públicos fazem investigação clínica: “apesar de existirem mais centros públicos do que privados, quase todos os centros de Oncologia privados fazem ensaios clínicos, e há muitos centros públicos que não o fazem”. Na CUF, esta complementaridade entre a atividade assistencial e a atividade investigacional “é sem dúvida fantástica, já que os médicos podem propor ensaios clínicos aos doentes, e isso é propor-lhes inovação”

Considera a médica que conciliar as duas atividades é essencial e que a atividade sofre grandes melhorias, mas que para isso é preciso que o tempo dos médicos seja protegido: “as administrações precisam de definir que os médicos estão na consulta de manhã, e à tarde estão no horário de ensaios clínicos”. Já para fomentar a investigação clínica, acha necessário “contratar as pessoas certas” e permitir que os médicos mais experientes contratem especialistas jovens que venham desenvolver investigação clínica.

Em 2014 foi criada a Academia CUF, com o propósito de fomentar a formação e educação médica bem como a investigação clínica do grupo José de Mello Saúde.

Cláudia Silveira, diretora da academia, explicou que esta “dispõe de uma estrutura especificamente criada para desenvolver uma política pró-ativa de incentivo ao crescimento da investigação clínica”, o Núcleo de Investigação e Desenvolvimento (NID). Através do NID, a Academia CUF prossegue o esforço de captação de projetos de Investigação de translação, designadamente de Ensaios Clínicos, nas suas unidades. Têm já uma “expressiva atividade de investigação”, consolidada na realização de “numerosos ensaios clínicos e estudos observacionais que estamos a desenvolver”.

E quando a investigação não é de iniciativa de uma entidade privada, mas sim do médico investigador? São precisas estruturas complexas, que, normalmente, são feitas por promotores comerciais (a indústria farmacêutica), mas quando isso não acontece é necessária outra forma de organização. E para isso nasceu a PtCrin (Rede Portuguesa de Infraestruturas para a Investigação Clínica), que tem como missão desenvolver a cooperação, nacional e internacional em investigação clínica.

Segundo Emília Monteiro, vice-presidente da PtCrin, “seria quase impossível fazer ensaios clínicos de iniciativa do investigador, envolvendo vários países, sem termos estruturas com algum financiamento que permitam trabalhar a preço de custo, ou até gratuitamente, para apoiar os investigadores clínicos”.

 

Sobre o Dia Internacional dos Ensaios Clínicos

O dia foi lançado para comemorar o início do famoso ensaio clínico sobre escorbuto, coordenado por James Lind. O estudo começou em 1747, a 20 de maio, e lançou as bases para a investigação clínica moderna. Esta é uma oportunidade para as organizações, para os profissionais de saúde e o público para reconhecerem a inovação que resulta da investigação clínica.


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