Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crónica: Diagnóstico atempado pode salvar vidas

“No dia 18 de novembro celebra-se o Dia Mundial de Hipertensão Pulmonar Tromboembólica (HPTEC), que já tem um dia no calendário desde 2014, com o intuito de divulgar, informar e consciencializar sobre a realidade desta doença”, sublinha Filipa Ferreira, Coordenadora da Unidade de Hipertensão Pulmonar do Hospital Garcia de Orta, que partilhou com o Raio-X um artigo com foco nesta patologia.

A HPTEC é causada pela obstrução da circulação pulmonar por trombos. Na maioria das vezes, a utilização de anticoagulantes dissolve esses trombos, com resolução dessa obstrução. Em raros casos, mesmo com anticoagulação, os trombos podem persistir sob a forma de tecido organizado, causando uma obstrução permanente. A consequência é o aumento da pressão nas artérias pulmonares, resultando em hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca progressiva. A HPTEC distingue-se dos outros grupos de hipertensão pulmonar por ser potencialmente curável ou significativamente melhorada através de uma intervenção cirúrgica ou por cateterismo. Por esse motivo,  o seu diagnóstico e diferenciação de outras formas de hipertensão pulmonar não pode escapar.

O diagnóstico da doença nem sempre é fácil porque os sintomas são muito inespecíficos. O sintoma mais precoce é o cansaço ou “falta de ar” para esforços progressivamente menores e desproporcional para as atividades habituais, o que limita bastante a qualidade de vida dos doentes. Outros sintomas possíveis, que normalmente surgem numa fase mais tardia da doença, são dor no peito, palpitações, desmaio ou tonturas, que surgem sobretudo com o esforço e inchaço das pernas. Na presença de  algum destes sintomas, o doente deve procurar o seu médico assistente. Em particular, se estes sintomas aparecerem após uma embolia pulmonar aguda, deve ser feito o rastreio de HPTEC. O ecocardiograma é um exame inofensivo, barato e de fácil acesso, que permite despistar a doença. Caso revele sinais de hipertensão pulmonar, o doente deve ser referenciado para um dos centros especializados no diagnóstico e tratamento desta patologia.

A confirmação do diagnóstico é feita, habitualmente, já nos centros de referência através de um cateterismo cardíaco que permite medir diretamente a pressão da artéria pulmonar. São ainda solicitados outros exames para melhor caracterizar a doença, que incluem: cintigrafia ventilação-perfusão e TAC tórax. Os centros especializados possuem equipas multidisciplinares que irão definir a melhor estratégia terapêutica individualizada para cada doente.

O tratamento de primeira linha é a cirurgia de tromboendarterectomia pulmonar, cirurgia que permite remover diretamente o material trombótico que causa obstrução das artérias pulmonares, e deve ser considerada para todos os doentes. No entanto, cerca de 30-40% dos doentes são inoperáveis e, nesse caso, existem terapêuticas alternativas como intervenção por cateterismo, num procedimento que se chama angioplastia pulmonar de balão -intervenção por cateter com dilatação de balão nos ramos afetados para desobstruir-, ou mesmo terapêutica médica com a utilização de fármacos vasodilatadores pulmonares que baixam a pressão nas artérias pulmonares. Saliento, ainda, que estas 3 estratégias terapêuticas podem ser combinadas entre si de forma a atingir o melhor resultado para cada doente.

Encurtar o tempo desde o início dos sintomas até ao tratamento é uma das prioridades dos especialistas desta área. É importante alertar, mesmo nestes tempos de medo que vivemos da COVID-19, para a procura de assistência médica atempadamente. Não esquecer que o prognóstico da HPTEC depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento. Sem tratamento, esta é uma doença progressiva que pode levar à morte.

 


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