Reflexões a propósito do Dia Europeu da Disfunção Eréctil

A propósito do Dia Europeu da Disfunção Eréctil, que se assinala anualmente a 14 de Fevereiro, com “o objetivo de alertar para as questões da saúde sexual e dos direitos humanos no campo da sexualidade”, Pepe Cardoso, urologista-andrologista no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca partilha com o Raio-X algumas reflexões, incluindo sobre preconceitos e o escasso acesso a cuidados de saúde na área da Medicina sexual.

Várias questões podem ser levantadas nesta área tão sensível e em que ainda muito falta fazer, destas começo por salientar os temas tabu na esfera sexual, os mitos e os preconceitos quer de ordem religiosa quer sócio-culturais, sendo necessário e urgente mudar o paradigma.

O direito à educação sexual, a viver a sexualidade sem discriminação do sexo, orientação sexual, doença ou deficiência e sem “limite” de idade deve ser universal e transversal.

A correta informação e interação em torno da saúde e direitos sexuais deve passar pelo estreitamento da comunicação entre público em geral, media, sociedades científicas e profissionais de saúde provenientes das mais distintas áreas, de modo a sensibilizar para a persistência de vários fatores lesivos da saúde e cidadania sexual.

Outra questão prende-se com o acesso a cuidados de saúde na área da Medicina sexual no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, quer nos cuidados primários (Centros de Saúde) quer nos Centros Hospitalares, os quais são escassos ou mesmo inexistentes, limitando e condicionando a procura.

A ausência de comparticipação na maioria das consultas, nos exames auxiliares de diagnóstico, nas terapêuticas (médicas ou cirúrgicas) é também uma das causas da não procura de consultas ou aconselhamento, do abandono de terapêuticas ou mesmo do seu início, devido ao preço proibitivo para a maioria da população.

Uma última questão é a informação disponibilizada pela Internet, e que é, sem dúvida, inquietante, pois permite o anonimato, está disponível 24 horas por dia e não requer qualquer interação pessoal. A recolha de informação na rede não obriga a assumir um problema perante outro ser humano, seja ele parceiro sexual ou profissional de saúde, e ao não o assumir, não se torna real.

Na Internet não há vergonha ou exposição, mas também não há regulação, sendo estas revelações preocupantes, pois sabemos que os riscos que a navegação cibernética descontrolada pode trazer a (des)informação, assim como o acesso e consumo de  “medicamentos” contrafeitos  com um eventual  risco para a saúde.

No momento atual compete-nos motivar as estruturas de saúde a melhorar as condições de acesso, promover a formação e especialização de profissionais na área da medicina sexual de modo a que esta não seja desvalorizada e criar as pontes necessárias entre os vários profissionais de saúde permitindo promover a saúde sexual como parte integrante da saúde global.

O próprio Estado, que deveria ter um papel protecionista, falha quando se esquece do real valor social e económico de uma boa saúde sexual e como consequência uma boa saúde global pelo que é urgente reverter esta situação.

Não podemos esquecer, nomeadamente num país em crise e a atravessar desde 2020 uma terrível pandemia, que a saúde é o motor da economia e que sem saúde não há economia que resista nem crescimento sustentado.


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