Tuberculose: Portugal regista a incidência mais baixa de sempre em 2015

Segundo dados hoje divulgados, Portugal registou, em 2015, 20 novos casos de tuberculose por cada mil habitantes, a incidência mais baixa de sempre no nosso país. Continua, no entanto, elevada, quando comparada com outros países da Europa Ocidental.

O anuncio foi feito na apresentação dos resultados provisórios do Programa Nacional de Combate à Tuberculose da Direção-Geral da Saúde, a propósito do Dia Mundial da Tuberculose, hoje assinalado.

“O patamar que atingimos traduz o esforço que tem sido conduzido por todos”, aplaudiu Francisco George, Diretor-Geral da Saúde. Em Portugal, os novos casos de tuberculose estão a diminuir cerca de 4% por ano. Há, no entanto, um longo caminho a percorrer para alcançar as metas ambiciosas da Organização Mundial da Saúde: reduzir a incidência da tuberculose em 90% até 2035.

“Registaram-se menos novos casos, mas continuamos a assistir a uma concentração da doença em Lisboa e no Porto, zonas onde a incidência registada foi o dobro da incidência nacional”, referiu Raquel Duarte, diretora do Programa. Dada a assimetria desta doença, “não podemos ignorar os fatores sociodemográficos do país”, salientou. Outras tendências apontadas pela especialista são o aumento de novos casos nas faixas etárias mais avançadas, o que acarreta “outras preocupações relacionadas com a abordagem terapêutica, nomeadamente no que diz respeito às interações medicamentosas”.

Em Portugal, os novos casos de tuberculose estão a diminuir cerca de 4% por ano. Há, no entanto, um longo caminho a percorrer para alcançar as metas ambiciosas da Organização Mundial da Saúde: reduzir a incidência da tuberculose em 90% até 2035

Por outro lado, Portugal continua a registar uma das mais altas taxas de co-infeção de tuberculose e VIH e, segundo os dados apresentados, há cada vez menos doentes com tuberculose que conhece a serologia do VIH. “A serologia não é pedida devido ao perfil do doente, que tende a ser mais velho, muitas vezes sem comorbilidades e sem comportamentos aditivos”, atitude que deve ser alterada através de um investimento na sensibilização dos próprios profissionais.

Neste sentido, a especialista recordou o plano de consenso recentemente construído em conjunto com a Infecciologia, o qual define com mais rigor que doentes infetados com VIH devem ser submetidos ao rastreio da tuberculose.

“Registaram-se menos novos casos, mas continuamos a assistir a uma concentração da doença em Lisboa e no Porto, zonas onde a incidência registada foi o dobro da incidência nacional”, Raquel Duarte, diretora do Programa

Outro ponto negativo levantado pela especialista passa pela “falta de experiência” derivada da rotatividade e “precariedade dos profissionais a trabalhar nas consultas de tuberculose”, o que constitui uma “ameaça” ao panorama atual, nas palavras da especialista. Assim, é “fundamental estabilizar os profissionais destas consultas”, âmbito no qual foi emitido um parecer em 2014, que será reenviado posteriormente para os governantes.

Para a diretora do Programa Nacional, as prioridades passam agora por diminuir o tempo que demora entre os sintomas e o diagnóstico da tuberculose, reduzindo o tempo em que o doente está infeccioso e transmite a doença, na comunidade. Para isso, é necessário “identificar as populações vulneráveis a nível local e implementar estratégias específicas para abordar a população”. É necessário ainda apoiar os grupos de risco, como os sem-abrigo ou consumidores de drogas de forma a aumentar a adesão terapêutica, garantindo que os tratamentos são feitos até ao fim, o que implica levar a cabo medidas sociais.

Outro ponto negativo levantado pela especialista passa pela “falta de experiência” derivada da “rotatividade e precariedade dos profissionais a trabalhar nas consultas de tuberculose”

A sintetizar os eixos estratégicos prioritários, António Diniz, diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA, destacou 1) “a formação dos profissionais e a literacia da população”, 2) “a organização de estruturas de tuberculose no Sistema Nacional de Saúde, adequadas à região onde estão enquadradas” e, por fim, 3) “o envolvimento para além da saúde e com a comunidade”, chamando outras entidades a colaborar neste projeto, nomeadamente autoridades autárquicas.

A fechar a sessão, Fernando Araújo, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, afirmou que muitas das estratégias definidas pelo governo “estão perfeitamente alinhadas” com os eixos prioritários do Programa, acreditando ser possível construir “um Portugal sem tuberculose”.

Patrícia Rebelo

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