Vencedor da 1ª edição do Prémio MSD de Investigação em Saúde pretende diminuir o risco de morte fetal

O projeto de investigação de tratamento da restrição de crescimento fetal foi o grande vencedor da 1ª edição do Prémio MSD de Investigação em Saúde, promovido pela MSD Portugal. Considerando que a restrição de crescimento fetal (FGR) afeta 5 a 10% das gestações, a equipa médica-científica da Maternidade Dr. Alfredo da Costa (MAC), do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC), pretendente avaliar se a administração de heparina de baixo peso molecular tem impacto no tratamento da FGR e, desta forma, contribuir para diminuir o risco de morte fetal, reduzir o número de nascimentos de bebés muito prematuros e, consequentemente, diminuir as complicações com impacto na saúde futura do bebé. “A restrição de crescimento fetal é uma área em que é notória a necessidade de investigação. Para além de ser bastante frequente (afeta até 1 em cada 10 gestações), associa-se a importantes complicações maternas, fetais e neonatais”, explicou Catarina Palma dos Reis, responsável pelo projeto, em declarações ao Raio-X.

Raio-X (RX) – Do que se trata este projeto de investigação de tratamento da restrição de crescimento fetal?

Catarina Palma dos Reis (CPR) – A restrição de crescimento fetal é uma patologia que afeta cerca de 10% de todas as gestações. Na maioria das vezes, resulta de um funcionamento deficitário da placenta, com passagem insuficiente de oxigénio e nutrientes para o feto, o que condiciona que este não atinja todo o seu potencial de crescimento. É então diagnosticada através de ecografia na presença de um feto pequeno (abaixo do percentil 10 para a sua idade gestacional) associada a sinais de mau funcionamento da placenta, nomeadamente alterações do fluxo de sangue da mãe para o feto. Este projeto procura avaliar o efeito de um fármaco anticoagulante, a heparina, nestas gestações de forma a procurar uma eventual terapêutica para esta patologia. Esta investigação procura aprofundar os conhecimentos atuais acerca dos mecanismos de doença na restrição de crescimento fetal, e contribuir para a eventual aprovação de uma primeira terapêutica para esta patologia.

RX – Porquê esta área?

CPR – A restrição de crescimento fetal é uma área em que é notória a necessidade de investigação. Para além de ser bastante frequente (afeta até 1 em cada 10 gestações), associa-se a importantes complicações maternas, fetais e neonatais. Em termos de complicações maternas, sabemos que estas mães têm um risco aumentado de virem a desenvolver patologia hipertensiva na gravidez. No que respeita aos fetos, pensa-se que a restrição de crescimento fetal possa justificar até 50% das mortes fetais, e 40% de todos os partos induzidos prematuramente (antes das 37 semanas). Como consequência, estes recém nascidos nascem frequentemente prematuros e como tal têm uma maior incidência de complicações respiratórias, défice visual, auditivo e neurológico, entre outros. Além disso, apresentam ainda um risco aumentado de diabetes e doenças cardiovasculares no futuro.

RX – Qual é a importância deste prémio atribuído pela MSD?

CPR – O Prémio MSD de Investigação em Saúde é fundamental para promover a investigação de iniciativa do investigador em Portugal. Há vários entraves ao desenvolvimento da investigação clínica no nosso país, sendo um dos maiores a escassez de financiamento. No nosso caso, esta bolsa dotou-nos dos fundos necessários para a viabilização deste estudo, que acreditamos que tenha o potencial de gerar um impacto significativo nas vidas das mães e bebés que sofrem desta patologia.


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