VIII Congresso Científico ANL debate preocupações da Medicina Laboratorial

Decorre, no Centro de Congresso de S. Rafael, no Algarve, nos dias 29 e 30 de maio, o VIII Congresso Científico da Associação Nacional de Laboratórios Clínicos (ANL), uma reunião transversal a todas as especialidades da Medicina Laboratorial, na qual serão abordadas questões relacionadas com política e gestão e discutidas as principais inovações no âmbito científico. Gestão pública versus gestão privada, desmaterialização da prescrição médica, o aumento da eficácia da resposta em estudos microbiológicos, deteção e classificação de células, doenças autoimunes e anemias (prevalência e diagnóstico) são, de acordo com Manuel Carvalho, presidente da Comissão Científica do congresso, alguns dos temas que preenchem o programa destes dois dias.

A área da Medicina Laboratorial não escapa aos constrangimentos financeiros do Serviço Nacional de Saúde e, segundo Nuno Saraiva, presidente da ANL “os preços de referência – nomeadamente os praticados pelas ARS, depois de congelados – nem sequer acompanhando os índices de inflação – durante muitos anos, sofreram cortes substanciais (na ordem dos 20%) aquando do período da Troika. Ora, poderia pensar-se que, após a retoma, a normalização da política de preços (em alta) ocorresse.

Porém, ao contrário do que seria expectável, não só tal não ocorreu, como nos continuou a ser pedido um esforço de redução de preço (a acrescer ao que já havia ocorrido), vigorando à data um “desconto” de 3%”. Acresce ainda “o incremento de custos estruturais, como sejam valores de rendas e de imóveis. Tudo isto gera aquilo que se pode chamar de tempestade perfeita, que afeta inevitavelmente a sustentabilidade (ou falta dela) de operadores do setor e do próprio setor”, descreve acrescentando que, “com tudo isto, naturalmente, o maior penalizado é o utente dos serviços de saúde”.

De acordo com um estudo da APIFARMA, as análises clínicas e os testes laboratoriais contribuem em 70% para a confirmação de um diagnóstico e representam apenas 2% do investimento total feito na saúde. No parecer de Nuno Saraiva, estes dados “são objetivos e demonstram que dever-se-ia fazer uma planificação de gestão dos recursos afetos ao setor a médio/longo prazo, pois o investimento no diagnóstico atempado permitirá uma intervenção mais célere na prevenção da doença e, inevitavelmente, na poupança com a despesa, a jusante, com o tratamento da mesma”. No futuro, defendo o presidente da ANL, “deveria haver um valor percentual relativo superior para o diagnóstico e inferior com o tratamento, em que a soma da despesa com os dois fosse inferior ao total atual e em que houvesse menos doença e mais saúde”.

Em relação aos utentes, Manuel Carvalho não tem dúvidas de que estes “reconhecem a importância da nossa atividade para a sua saúde. Esta afirmação é sustentada pela procura crescente dos nossos serviços e na credibilidade dos nossos resultados. Se a questão se reporta ao custo inerente aos exames por nós realizados, então a resposta é não”. A mesma opinião é partilhada por Nuno Saraiva que sublinha o facto de o doente não pagar diretamente este tipo de serviços. “Ora, desta forma, desvaloriza, automaticamente, toda a cadeia de valor que está por detrás do resultado apresentado. De notar que é uma cadeia de valor com tecnologia e equipamentos de ponta, em instalações que têm de cumprir um apertado conjunto de condições e, sobretudo, com profissionais altamente qualificadas”.

Setor público versus setor privado

Uma das mesas de debate neste VIII Congresso Científico da ANL será dedicada à gestão pública versus gestão privada dos laboratórios de análises clínicas. Em relação a esta questão, a ANL entende que “os operadores privados são, por natureza e de acordo com as evidências disponíveis, os melhores capacitados para a gestão do serviço, consideramos que deverão sempre coexistir harmoniosa e coerentemente os dois setores”, afirma Nuno Saraiva. “Importa-nos exigir informação clara e atempada de quais as perspetivas a médio-longo prazo para que, em conformidade, se possa dimensionar o investimento ou desinvestimento no setor. Naturalmente, estamos cientes de que, caso venha a existir o desincentivo ao investimento privado, sairá inevitavelmente prejudicado o SNS (no qual aquele é ator essencial) e, essencialmente, os beneficiários daquele, utentes diários dos laboratórios de análises clínicas privados”, explica o presidente da ANL.

Consulte AQUI o programa científico do congresso.


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