Seminário APCL | Transplantes de medula óssea
Decorreu no passado dia 12 de setembro, no auditório do El Corte Inglés, em Lisboa, a terceira edição do Seminário da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) dedicada aos Transplantes de Medula Óssea.
Numa sala repleta de doentes, cuidadores, familiares e profissionais de saúde, em cada cadeira estava uma história de sobrevivência a tumores hematológicos e de adaptação de uma vida a novas rotinas, novos cuidados e novas esperanças depois do transplante.
A abertura desta manhã de convívio e de partilha de experiências esteve a cargo de Manuel Abecasis, na qualidade de presidente da APCL e hematologista que dedicou toda a sua carreira ao estudo e ao tratamento de doentes hemato-oncológicos.
Em declarações ao Raio-X, o especialista reforçou a importância de voltar a debater a atualidade da transplantação de medula óssea, reforçando os grandes avanços de que esta área tem sido algo ao longo das últimas décadas.
A abertura desta manhã de convívio e de partilha de experiências esteve a cargo de Manuel Abecasis, na qualidade de presidente da APCL e hematologista que dedicou toda a sua carreira ao estudo e ao tratamento de doentes hemato-oncológicos.
Em declarações ao Raio-X, o especialista reforçou a importância de voltar a debater a atualidade da transplantação de medula óssea, reforçando os grandes avanços de que esta área tem sido algo ao longo das últimas décadas.
Ser dador de medula óssea: um bem para quem dá e para quem recebe
Para muitos doentes portadores de leucemia, o transplante de medula óssea representa a única alternativa terapêutica que oferece uma esperança de sobrevivência. A dificuldade está, muitas vezes, em encontrar um dador compatível.
Quando a família não é opção, o recurso ao banco de medula óssea é a solução que, nos últimos anos, tem permitido um aumento muito significativo do número de transplantes realizados.
Falámos com Eduardo Espada, hematologista na ULS de Santa Maria e diretor clínico do Registo Português de Medula Óssea (CEDACE), que sublinhou os critérios para se ser dador de medula óssea, a simplicidade de dar início a esse processo e o altruísmo de poder salvar uma vida.
Quando a doença advém daquilo que se esperava ser a cura
Na verdade, o transplante de medula óssea não é o fim do caminho, mas sim o recomeço de um novo capítulo, marcado por alguns desafios. A doença do enxerto contra o hospedeiro continua a ser causa importante de mortalidade e de morbilidade na fase de pós-transplante, podendo assumir forma aguda ou crónica. Segundo Pedro Santos, hematologista do IPO, esta doença ocorre quando as células da medula óssea do dador “atacam” as células do recetor, podendo manifestar-se em todos os órgãos ou sistemas do organismo, desde a pele ao intestino, passando pelos olhos ou pelo pulmão.
A identificação precoce de sinais e sintomas sugestivos da doença do enxerto contra o hospedeiro é crucial para que rapidamente possam ser implementadas medidas terapêuticas de controlo.
De acordo com o hematologista, o aparecimento de novas estratégias de imunossupressão tem permitido minimizar o impacto da doença do enxerto contra o hospedeiro, sendo a abordagem multidisciplinar uma peça fundamental para o acompanhamento do doente.
Este foi um tema que, durante a manhã, foi debatido numa mesa redonda, que contou com o apoio da Sanofi, na qual participaram a enfermeira Cláudia Silva, também do IPO de Lisboa, e Maria João Taborda, uma doente transplantada que vive há três anos com doença do enxerto contra o hospedeiro crónica e que, de uma forma otimista, contou um pouco sobre os desafios do seu dia-a-dia e o impacto que esta situação clínica acaba por ter na sua rotina pessoal e familiar.
Participaram também neste Seminário Ana Sofia Jorge, hematologista da ULS de Santa Maria, que fez uma apresentação sobre os diversos tipos de transplante e qual a estratégia mais adequada para cada doente, assim como de terapêuticas emergentes substitutas da transplantação.


E porque a alimentação é sempre uma preocupação ao longo de todo o processo de transplantação de medula óssea, as nutricionistas Marta Eusébio e Cláudia Viegas apresentaram o Livro de Receitas do Doente Hemato-oncológico, que ajuda os doentes e respetivos cuidadores e familiares a escolherem receitas nutritivas, variadas e saborosas que, na verdade, podem ser apreciadas por toda a família.


O seminário terminou com a apresentação de Carolina Freitas, Hematologista do IPO de Lisboa, e Milene Correia, enfermeira também do IPO de Lisboa, sobre os 100 dias após o transplante e sobre os desafios que o doente enfrenta neste período crítico, nomeadamente o risco de infeções decorrentes da fragilidade imunitária, de doença do enxerto contra o hospedeiro e de instabilidade emocional, entre outras fragilidades que condicionam a sua qualidade de vida.