Artigo de opinião | A importância do rastreio da sarcopenia

Sabe o que é a sarcopenia? Quais são os sinais? Qual a importância do seu rastreio? Rafaela Veríssimo, médica especialista em Medicina Interna no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, com competência em Geriatria pela Ordem dos Médicos, explica-lhe tudo sobre esta doença progressiva, que ocorre com o envelhecimento, e que é caracterizada por perda de força e massa muscular através de um artigo de opinião que partilhamos aqui no Raio-X. 

A sarcopenia é uma doença progressiva que ocorre com o envelhecimento caracterizada por perda de força e massa muscular. Tem uma prevalência elevada a partir dos 50 anos e especialmente nos idosos, embora ainda seja sub-diagnosticada.

A perda da força e massa muscular no idoso, sobretudo a nível dos membros inferiores, provoca desequilíbrio, dificuldades a caminhar, a subir escadas e a realizar as atividades da vida diária, como arrumar a casa, cozinhar, ir às compras, levantar-se da cama ou de uma cadeira, vestir-se ou tomar banho.

A sarcopenia conduz à fragilidade e pode tornar o idoso dependente de uma bengala, andarilho ou necessitar de pessoas que lhe prestem cuidados. As causas são várias, para além do próprio envelhecimento, uma alimentação inadequada, alterações hormonais, redução da actividade física, tabagismo e várias doenças, como as doenças cardiovasculares (Diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia, insuficiência cardíaca), respiratórias (Doença pulmonar obstrutiva crónica e doenças do interstício), neurológicas (demência, neurodegenerativas) e mal absorção. Está associada a maior probabilidade de quedas e origina por isso maior risco de incapacidade e aumento da mortalidade nos idosos. A sarcopenia ocorre frequentemente em doentes com osteoporose o que agrava ainda mais o risco de ter uma queda, fraturas e dor.

Na maioria dos idosos a ingestão reduzida de proteínas, a falta de apetite, dificuldades na deglutição e alguns medicamentos contribuem para o agravamento da perda de massa muscular e redução do peso.

A identificação precoce da sarcopenia é fundamental para um envelhecimento saudável. Por isso, o rastreio da sarcopenia é recomendado na comunidade e principalmente nos centros de saúde, hospitais e lares. Pode ser feita através de um questionário de cinco perguntas (SARC-F), identificando os indivíduos em que é preciso iniciar tratamento adequado. A perda de força muscular pode ser confirmada com recurso a testes como o teste de levantar 5 vezes de uma cadeira ou contabilizar a velocidade da marcha e recorrer ao dinamómetro para medir a força de preensão palmar.

Os idosos com perda de massa muscular precisam de a recuperar para melhorarem os sintomas. Para combater a sarcopenia é preciso uma alimentação adequada e a prática de exercício físico regular. Quanto mais cedo forem instituídas as intervenções terapêuticas, melhores resultados serão obtidos e menos sintomas irão surgir.

O rastreio nutricional deve ser feito a todos os idosos para identificar os indivíduos desnutridos ou em risco de malnutrição. A desnutrição acelera a perda de músculo e a dieta é frequentemente insuficiente, sendo necessário considerar a toma de suplementos orais com elevado aporte proteico (à base de soro proteína enriquecida com leucina) e também vitamina D (800-1000 UI/dia).

A inactividade física é um fator importante para a perda de força e massa muscular em qualquer idade, mas sobretudo em idosos e doentes acamados. Por isso, é fundamental estimular a prática de exercício físico, sobretudo treinos de resistência e força (como subir escadas, levantar pesos, uso de pedaleira), com várias repetições, pelo menos duas vezes por semana. O exercício aeróbico (caminhar, nadar, tai-chi, ioga ou correr) melhora o desempenho cardiovascular e a melhoria da ingestão de proteínas, pelo que também deve ser realizado entre os treinos de resistência.


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