Cancro de cabeça e pescoço: rastreio na Volta a Portugal em Bicicleta detetou 42 casos suspeitos

Mais de 1000 pessoas fizeram o rastreio ao cancro de cabeça e Pescoço, durante a iniciativa de rastreios gratuitos realizada pelo Grupo de Estudos Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP) no âmbito da 78ª Volta a Portugal em Bicicleta que serviu para assinalar o 2º Dia Mundial do Cancro de Cabeça e Pescoço (27 Julho) em Portugal.

A campanha “A primeira etapa é fazer o rastreio”, uma iniciativa do GECCP com o apoio da Liberty Seguros e da Merck, revelou 42 possíveis casos de cancro de cabeça e pescoço, entre os 1036 rastreios feitos nos pontos de chegada de todas as etapas da 78ª Volta a Portugal em Bicicleta que teve início a 26 de julho em Oliveira de Azeméis e que terminou em Lisboa no 7 de agosto.

Ana Castro, médica oncologista e presidente do Grupo de Estudos Cancro de Cabeça e Pescoço, revela que “do total de 1036 rastreios gratuitos baseados no exame objetivo do doente, 4,05% foram inscritos para serem avaliados em ambiente hospitalar posteriormente, por possuírem lesões suspeitas. Para estas pessoas esperamos poder fazer a diferença”

“O cancro de cabeça e pescoço é uma doença que em Portugal mata três portugueses por dia e que poderia ser diagnosticada e tratada precocemente se houvesse mais informação e sensibilização da população e dos médicos de Medicina Geral e Familiar no nosso país. O rastreio é fundamental, sobretudo para pessoas com hábitos tabágicos ou de consumo excessivo de álcool. No início do desenvolvimento da doença, o tratamento destes tipos de cancro pode ter uma taxa de sucesso entre os 80% e 90%” alerta a médica oncologista.

“Do total de 1036 rastreios gratuitos baseados no exame objetivo do doente, 4,05% foram inscritos para serem avaliados em ambiente hospitalar posteriormente, por possuírem lesões suspeitas. Para estas pessoas esperamos poder fazer a diferença”, Ana Castro, presidente do GECCP

“No decorrer dos rastreios realizados durante a Volta a Portugal em Bicicleta foi possível perceber que os sinais de alerta são ainda pouco conhecidos pela população em geral e que há uma tendência para desvalorização dos sintomas que podem muitas vezes ser confundidos com outras doenças. Feridas na boca que não cicatrizam, língua dorida ou com úlceras, rouquidão persistente, nariz entupido ou hemorragias nasais persistentes, dificuldade em engolir ou uma simples dor de garganta são apenas alguns dos sinais que não podem ser ignorados e aos quais se deve ficar alerta se persistirem mais de três semanas” acrescenta ainda a especialista.

As cidades onde se realizaram os rastreios gratuitos à população foram: Oliveira de Azeméis, Braga, Fafe, Macedo de Cavaleiros, Mondim de Basto, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Arruda dos Vinhos, Setúbal e Lisboa.

A Petição Pública “Reabilitação oral dos doentes com cancro de cabeça e pescoço pelo SNS”, lançada a 27 de julho, no Dia Mundial do Cancro da Cabeça e do Pescoço, conta já com mais de 1000 assinaturas online (https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT82276) e 300 em papel.

“O rastreio é fundamental, sobretudo para pessoas com hábitos tabágicos ou de consumo excessivo de álcool. No início do desenvolvimento da doença, o tratamento destes tipos de cancro pode ter uma taxa de sucesso entre os 80% e 90%” alerta a médica oncologista

Esta petição pretende levar à discussão na Assembleia da República a reflexão sobre a necessidade do Sistema Nacional de Saúde passar a apoiar a reconstrução oral dos doentes com esta patologia para restabelecer a função e a estética da cavidade oral. Isto porque uma das consequências das terapêuticas do cancro de cabeça e pescoço é a extração de dentes. Esta situação implica alterações que condicionam significativamente o estilo de vida do doente, na medida em que afecta capacidades fulcrais do ser humano como a capacidade de comer, falar e engolir.

Para a Presidente do GECCP, “o objetivo de conseguir ter a Petição subscrita por um mínimo de 1.000 cidadãos foi conseguido, uma vez que com este número a mesma é obrigatoriamente publicada no Diário da Assembleia da República. O próximo passo é chegar à recolha das 4.000 assinaturas necessárias para admitir a Petição à Assembleia da República que, por sua vez, a remete para a Comissão Parlamentar competente em razão de matéria e, por fim, ao Presidente da República”.

Em Portugal, os cancros de cabeça e pescoço são a quarta doença com maior incidência nos homens quando se consideram o conjunto dos tumores: laringe, faringe, cavidade oral e nasofaringe. Todos os anos, são diagnosticados entre 2.500 e 3.000 novos casos de cancro de cabeça e pescoço em Portugal e 85% das vítimas são fumadores ou ex-fumadores, daí a importância dos rastreios à doença a pessoas com hábitos tabágicos ou de consumo excessivo de álcool.

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