Curso de Medicina Oral do Sono: “uma reunião inédita em Portugal”

É já no próximo dia 13 de maio que vai ter lugar o primeiro Curso Teórico-Prático de Medicina Oral do Sono, promovido pela Associação Portuguesa do Sono (APS).

Segundo o presidente da direção da APS, Joaquim Moita, “será uma reunião única, inédita em Portugal, a qual representa uma oportunidade excecional para rever a fisiopatologia e as implicações médicas e sociais do Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) e, sobretudo, para conhecer o leque de opções terapêuticas disponíveis”. Um programa científico abrangente que conta com a presença de especialistas internacionais de reconhecido mérito nesta área, como Roy Dookun e Ludovic Baratier, sem esquecer os experts nacionais com grande experiência no âmbito da Medicina do Sono.
A formação, que vai decorrer no Hotel Sana Malhoa, “divide-se em duas vertentes: uma teórica e outra prática, constituída por um curso hands-on, fornecendo, assim, uma atualização sobre as várias opções terapêuticas da SAOS e a possibilidade de aplicação prática dos dispositivos de avanço mandibular”, esclarece a médica pneumologista Paula Pinto, secretária da direção da APS.

Segundo o presidente da direção da APS, Joaquim Moita, “será uma reunião única, inédita em Portugal, a qual representa uma oportunidade excecional para rever a fisiopatologia e as implicações médicas e sociais do Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) e, sobretudo, para conhecer o leque de opções terapêuticas disponíveis”

A especialista lembra que “a SAOS é um distúrbio respiratório com elevada prevalência na população e com enormes consequências a nível socioeconómico, sendo considerada atualmente um problema de saúde pública, na medida em que se associa a um aumento do risco de acidentes laborais e de viação e de complicações cardiovasculares”. É, assim, incontornável, debater esta temática, até porque, “se há alguns anos a abordagem dos doentes com SAOS não era mais do que uma arte, a evidência científica nesta área tem aumentado de forma exponencial, levando a que a Medicina do Sono se tornasse uma especialidade própria com uma grande componente multidisciplinar”, acrescenta.
Com a introdução da terapêutica com CPAP (Continuous Positive Airway Pressure), e tendo em conta os avanços tecnológicos deste tratamento, o prognóstico e a qualidade de vida dos doentes com SAOS melhorou significativamente. Mais recentemente, têm surgido outras opções terapêuticas, “nomeadamente os dispositivos de avanço mandibular, novas técnicas cirúrgicas do foro da Otorrinolaringologia (ORL) e a cirurgia ortognática, evidenciando-se assim a interrelação entre as várias especialidades envolvidas no tratamento adequado da SAOS”, avança Paula Pinto.
Não será, por isso, de espantar, que este Curso traga à discussão temas como as indicações e os limites da cirurgia e dos dispositivos de avanço mandibular no tratamento da SAOS. Para além da Pneumologia, este curso destina-se a todos os profissionais de saúde envolvidos na área da Medicina Oral do Sono, incluindo especialistas em ORL, cirurgiões maxilo-faciais, estomatologistas e dentistas, aponta a especialista.

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“A SAOS é um distúrbio respiratório com elevada prevalência na população e com enormes consequências a nível socioeconómico, sendo considerada atualmente um problema de saúde pública, na medida em que se associa a um aumento do risco de acidentes laborais e de viação e de complicações cardiovasculares”, Paula Pinto

Medicina Oral e Sono

Mas afinal, de que forma é que os profissionais de Saúde Oral intervêm no tratamento do SAOS? Nas palavras de Adélia Ramazanova, interna de Estomatologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte, “visto que a fisiopatologia da SAOS consiste na colapsabilidade da via aérea superior, influenciada por características da anatomia craniofacial e tecidos moles intra-orais, os profissionais de Saúde Oral deveriam desempenhar um papel crucial na suspeita clínica e no diagnóstico precoces desta patologia”. Por outro lado, refere, “apesar de bem documentada a eficácia do tratamento de primeira linha com CPAP (ventilação com pressão positiva), a adesão é subótima pelo que se torna necessário o desenvolvimento de tratamentos alternativos como os dispositivos de avanço mandibular”. É ainda necessário criar “equipas multidisciplinares para um tratamento mais personalizado e eficaz”.

SAOS em Pediatria: o problema do subdiagnóstico

A síndrome da apneia do obstrutiva do sono nas crianças vai ser um dos temas abordados neste Curso, tendo em conta o assumido subdiagnóstico desta doença na população infantil. “A SAOS ocorre em 3% das crianças em idade escolar, ao passo que o ressonar simples se manifesta em 15% das crianças”, afirma Maria Helena Estevão, pediatra e especialista em patologia respiratória do sono. E sublinha que “o ressonar, por vezes desvalorizado, constitui o sinal mais evidente do estreitamento das vias aéreas superiores, mas há muitas outras manifestações (resultantes da insuficiente qualidade e quantidade de sono) que são subtis, podendo passar despercebidas e/ou não ser relacionadas com o quadro respiratório. Por exemplo, a hiperatividade e dificuldades de aprendizagem podem ser o reflexo do compromisso neurocognitivo muitas vezes existente nesta situação”. A falta de reconhecimento deste quadro clínico pode estar na base do subdiagnóstico da SAOS, levando a que “muitas crianças estejam medicadas por síndrome de hiperatividade e défice de atenção ou algumas outras necessitem de apoio escolar por dificuldades de aprendizagem”, alerta a especialista.

Nas palavras de Adélia Ramazanova, interna de Estomatologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte, “visto que a fisiopatologia da SAOS consiste na colapsabilidade da via aérea superior, influenciada por características da anatomia craniofacial e tecidos moles intra-orais, os profissionais de Saúde Oral deveriam desempenhar um papel crucial na suspeita clínica e no diagnóstico precoces desta patologia”

A tesoureira da direção da APS explica que “a perturbação respiratória do sono assume particular importância na criança, por estar em fase de crescimento e desenvolvimento”. Acrescenta ainda que “a causa mais frequente da perturbação respiratória obstrutiva do sono, nomeadamente da apneia obstrutiva do sono, é a hipertrofia das amígdalas e das adenoides. No entanto, entre outras causas, as características da face como queixo pequeno e/ou recuado (micro/retrognatia) ou face estreita podem contribuir para um estreitamento das vias aéreas superiores, mesmo na ausência do aumento de dimensões das amígdalas e adenoides”.

“A perturbação respiratória do sono assume particular importância na criança, por estar em fase de crescimento e desenvolvimento”, Maria Helena Estêvão

Como mensagem final, a especialista frisa que “a abordagem das características do sono das crianças deve ser sempre feita nas consultas de Sáude Infantil e Juvenil, do mesmo modo que se aborda a alimentação ou as vacinas, sensibilizando assim os pais para a vigilância do sono dos filhos e para a valorização de determinados sinais”. Além disso, “a formação dos educadores e professores é fundamental na parceria que poderão fazer com os pais na identificação dos sinais evocativos”, sem esquecer a formação e atualização contínua dos profissionais de saúde.

Para mais informações, consulta do programa ou inscrições, aceda ao website da APS AQUI.

Patrícia Rebelo


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