Profissionais de saúde devem assumir tripla responsabilidade: de se protegerem, de protegerem os que cuidam e de recomendarem a vacinação

Na semana em que se inicia a época de vacinação antigripal, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), através da sua Comissão de Trabalho de Infecciologia Respiratória, alerta para a importância da vacinação contra a gripe sazonal, sobretudo, nos doentes crónicos e nos profissionais de saúde.

De acordo com os dados do Vacinómetro, no final da época de vacinação de 2018/2019, divulgados em março passado, foram vacinados contra a gripe sazonal:

– 65,9% dos indivíduos com 65 anos ou mais (+4,1% do que no anterior)

– 55,8% dos indivíduos portadores de doença crónica (+3,7% do que no ano anterior)

– 37,3% dos portugueses com idades compreendidas entre os 60 e os 64 anos (+1,6% do que no ano anterior)

– 52% dos profissionais de saúde com contacto direto com os doentes (-3,2% do que no ano anterior)

Apesar de, a cada ano, se verificar um aumento global da cobertura vacinal, apenas cerca de 50% dos profissionais de saúde e dos indivíduos com doença crónica fizeram a vacina. Há ainda um longo caminho a percorrer para atingir a meta, definida pela União Europeia, de 75% de cobertura vacinal na população com idade igual ou superior a 65 anos.

Os profissionais de saúde têm um papel fundamental na vacinação, uma vez que “por um lado, enquanto prestadores de cuidados de saúde, estão bastante expostos aos agentes infecciosos podendo, eles mesmo, promover a transmissão de infeções e, por outro, são decisivos para que a população em geral e as pessoas com doença crónica se vacinem: 60% das pessoas vacinaram-se por recomendação do profissional de saúde”, reforçam Filipe Froes e Cátia Caneiras, em representação da SPP. E alertam para a possibilidade de os profissionais de saúde poderem transmitir a gripe, inadvertidamente e na ausência de sintomas, durante o período de 1 a 2 dias de incubação da doença.

À luz da Norma de Orientação Clínica da Direção Geral da Saúde, publicada na semana passada, a vacinação contra a gripe é fortemente recomendada em pessoas com idade igual ou superior a 65 anos; indivíduos com 6 ou mais meses de idade com doença crónica ou imunodeprimidos (onde se incluem os doentes asmáticos que fazem terapêutica com corticoides inalados ou sistémicos; portadores de doença pulmonar obstrutiva crónica – DPOC -, fibrose quística, fibrose pulmonar intersticial, pneumoconioses e displasia broncopulmonar); grávidas (em qualquer trimestre) e profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados.

Aconselha-se também a vacinação das pessoas com idade entre os 60 e os 64 anos. A vacina deve ser administrada durante o outono/inverno, de preferência até ao fim do ano civil.

A vacina contra a gripe é gratuita, no Serviço Nacional de Saúde, para os grupos prioritários e podem ser administradas nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES)/ Unidades Locais de Saúde (ULS). Os procedimentos para a vacinação das pessoas residentes em instituições, com apoio domiciliário ou internadas em unidades de saúde, dos bombeiros, dos reclusos e dos guardas prisionais são definidos a nível regional/local.

Para as pessoas não abrangidas pela vacinação gratuita, a vacina contra a gripe é dispensada nas farmácias comunitárias através de prescrição médica, com comparticipação de 37%.


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