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Alergias em época balnear

Alergias em época balnear

Com a chegada do verão, aumentam os dias passados na praia e na piscina, mas também as dúvidas sobre as reações da pele e do organismo à exposição solar, ao cloro, à areia ou à água fria. Expressões como “alergia ao sol” ou “alergia ao cloro” são frequentemente utilizadas, embora nem sempre correspondam a verdadeiras doenças alérgicas. Neste artigo, a médica imunoalergologista Rita Brás esclarece os principais mitos e verdades associados à época balnear, explicando quais as situações que exigem apenas alguns cuidados preventivos e quais devem motivar uma avaliação médica especializada.

Com a chegada do calor e das idas à praia e à piscina, multiplicam-se as queixas de alergia ao sol, e a outros agentes suspeitos como o cloro ou até a areia. Mas nem tudo o que parece alergia o é, e importa esclarecer e desmitificar.

Alergia ao sol? Na maioria dos casos não é uma verdadeira alergia. A reação ao sol mais frequente é a erupção polimorfa à luz: manchas ou placas avermelhadas, com comichão associada, que surgem horas após a exposição, sobretudo nas zonas expostas ao sol e nos primeiros dias de sol da estação. As principais recomendações incluem uma exposição mais gradual e o uso de protetor solar. Caso os sintomas sejam recorrentes e muito incomodativos (por exemplo, pela comichão intensa), devem ser avaliados por um médico especializado. Existem outras erupções cutâneas relacionadas com o sol que, apesar de menos frequentes, podem carecer de outros cuidados, nomeadamente a urticária solar, em que surgem pápulas (de aspeto semelhante às picadas de melga) e comichão intensa poucos minutos após a exposição solar, ou até a fotoalergia causada por medicamentos, perfumes ou cosméticos, cuja reação na pele só aparece depois da exposição solar.

Alergia à areia? Não existe alergia à areia propriamente dita. A areia pode, sim, ser um agente irritativo para a pele, e o desconforto resulta da sua ação mecânica, que causa fricção e secura cutânea. Nas crianças e nos adultos com dermatite atópica, o atrito da areia, o sal e o calor podem agravar as lesões da pele, sendo importante a lavagem com água doce e hidratação após o banho.

Alergia ao cloro? O cloro é outro agente irritativo. Os olhos vermelhos, os espirros ou o ardor da pele nas piscinas devem-se sobretudo às cloraminas — compostos que se formam quando o cloro reage com o suor e outras matérias orgânicas. Podem irritar a pele, os olhos e as vias respiratórias e, em pessoas com asma ou rinite, agravar sintomas. Também aqui é importante o duche com água doce depois do contacto, e até o uso de óculos de natação.

Para além dos agentes referidos, importa alertar para uma entidade clínica que, apesar de rara, pode ter um desfecho fatal – a urticária ao frio. Nas pessoas afetadas, o contacto com o frio (água do mar ou da piscina, ar frio, bebidas frias ou gelados) provoca comichão, pápulas e/ou inchaço. O maior perigo está no mergulho de corpo inteiro em água fria, que pode desencadear uma reação generalizada, com falta de ar, aperto laríngeo ou até perda da consciência e risco de afogamento. Quem já teve estas queixas deve evitar entradas bruscas na água, não nadar sozinho e ser avaliado por um Imunoalergologista: o diagnóstico confirma-se com um teste simples e o tratamento inclui anti-histamínicos e, nos casos mais graves, adrenalina.

Em resumo, muitas reações da época balnear não são alergias verdadeiras, mas irritações ou fotodermatoses; outras, como a urticária ao frio, são preocupantes e merecem cuidados preventivos. O diagnóstico correto evita restrições desnecessárias e permite aproveitar o verão em segurança

Rita Brás

Imunoalergologista

Assistente Hospitalar, Serviço de Imunoalergologia da ULS Santa Maria

Assistente Convidada, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa