9ªs Jornadas da Primavera reforçam aproximação entre o setor público e o privado

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No dia 7 de abril a Academia CUF em parceria com o Hospital CUF Cascais promoveu as 9ªs Jornadas da Primavera. O evento contou com profissionais de saúde da CUF, mas também com outros das unidades públicas envolventes. Em entrevista ao Raio-X, o Presidente da Comissão Organizadora do Congresso, José Ramos Osório, falou da multidisciplinaridade do tema do encontro: “Sempre melhor pelo doente”, das novidades nas várias especialidades e da necessidade de uma maior articulação entre o sector público e o privado.

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Raio-X (RX) – Esta é a 9ª edição das Jornadas, com que objetivo é que surgiram há 9 edições atrás as Jornadas da Primavera da CUF Cascais?

José Ramos Osório (JRO) – Quisemos criar um Fórum Médico de debate entre profissionais médicos que trabalhassem quer nos nossos hospitais (e na altura quando se iniciou era a clínica CUF Cascais), quer em todas as unidades públicas, nomeadamente dos concelhos de Cascais, Oeiras e Sintra. Portanto, há aqui sempre uma parceria muito grande entre as nossas unidades e as unidades que compõem o ACES (Agrupamento dos Centros de Saúde) de Cascais.

Temos tido, ao longo destes anos, alguns programas mais comuns, programas em que falam pessoas de algumas instituições e de outras, e procuramos que nas inscrições exista diversidade de forma a possibilitar troca de impressões sobre aquilo que trabalhamos diariamente.

 

RX – Portanto, são umas jornadas multidisciplinares que envolvem a Pediatria, Gastroenterologia, Dermatologia, Oncologia. Ou seja, no fundo, as especialidades com particular enfoque nos hospitais CUF?

JRO – Este ano escolhemos estas especialidades, nos outros anos temos tido outras especialidades, é sempre difícil escolher. Procuramos um tema geral, este ano foi “Sempre melhor pelo nosso doente”, e procuramos que estas especialidades venham a traduzir o que de melhor se faz no nosso país e nas nossas unidades. Quando digo unidades pode não ser só na unidade de Cascais, mas em todo o grupo CUF: como trabalhamos em rede podemos não operar aqui em determinada situação, mas o doente é operado noutra unidade CUF e, portanto, queremos transmitir desta forma o que de melhor se faz para com o nosso doente.

 

RX – Sendo também jornadas de atualização, há aqui alguns pontos de destaque no programa científico que revelam exatamente isso. O que é que está a acontecer de novo nestas áreas?

JRO – Sim, em todas as especialidades procuramos trazer o que há de melhor. No glaucoma, por exemplo, quais são os últimos tratamentos passíveis de serem feitos. Há uma preocupação também em desenvolver temas que já estão presentes nas nossas unidades, ou seja, debater os temas que médicos das nossas unidades praticam diariamente. Também na mesa redonda, quando se fala sobre “velhas doenças, novas terapêuticas”, no fundo são novas perspetivas terapêuticas que em muitas dessas áreas existem, que já podem ser feitas em Portugal e que é preciso que todos tenhamos conhecimento para que se possa dar o melhor ao nosso doente.

 

RX – A presença de participantes do privado e do público revela uma articulação entre as duas realidades. Ou seja, mostra que há pontes que podem ser feitas, e no fundo o objetivo é a uniformização dos cuidados.

JRO – Nós, e eu particularmente, nunca tive preconceitos desse género. Até porque trabalhei durante 25 anos no público e saí por opção para o privado. Acho que todos nós temos um lugar muito especial e aliás, tem sido sempre a minha luta, não chamar “serviço nacional de saúde”, mas sim “sistema nacional de saúde”, onde possamos englobar toda a gente que trabalha nesta área, porque todos são importantes.

Gostava muito que chegássemos ao dia em que tivéssemos uma rede de tal forma montada, que o doente que vai ao centro de saúde e depois tem que vir a uma das nossas unidades, ou vice-versa, tenha toda a sua informação ao dispor do médico num clique. Isto vai significar melhoria de cuidados com o doente e, numa altura em que se fala muito de diminuição de custos, há seguramente muito a diminuir, pois um doente que é enviado dum centro de saúde para um hospital, muitas vezes, já vai com os exames todos feitos e a primeira coisa que se pede são novos exames que são repetição. Isto obviamente não se passa nas nossas unidades (porque temos tudo em rede), mas passa-se muitas vezes do público para o privado. Seria excelente que deixássemos de ter estes complexos e passássemos a ser mais atuais e mais virados para o futuro, e tentássemos poupar muitos recursos e conseguir trabalhar em conjunto.

 

RX – Nesta reunião estão inscritos quantos participantes?

JRO – Estão inscritos cerca de 190 participantes e têm participado ativamente. Na sessão de abertura procurámos trazer à discussão a autarquia, o nosso grupo, e também a universidade que é o centro da cultura e que no fundo pode trazer-nos conhecimento. Há uma palavra muito importante a dizer, todo este movimento e programação das Jornadas da Primavera fazem parte de um programa mais global de educação contínua dos nossos profissionais, que é o programa “Mais Saber” da Academia CUF.

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